O Embate entre Criador e Criatura – Frankenstein, Mary Shelley

Em seu artigo Por que ler os clássicos, Italo Calvino enumera alguns motivos para ler e reler clássicos, entre eles o seguinte: “Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos.” nenhuma outra frase caberia melhor para Frankenstein, um clássico que foi apropriado e difundido de tantas formas que, mesmo achando que já conhecemos essa história, ao ler o original descobrimos que não é bem assim.

Walton, um explorador , está se aventurando em busca  de novos lugares, terras para explorar. Durante suas andanças ele se corresponde com a irmã, que está na Inglaterra, lembrando do ser solitário e sem amigos que ele é, e o quanto isso faz falta na sua vida. Em uma das cartas ele contará que conheceu um homem, salvando-lhe a vida após um desmoronamento de gelo, esse homem é Victor Frankenstein, sim o cientista e não a criatura, que como vamos descobrir não tem nome.

Walton parece enfim ter encontrado um amigo, alguém com quem dividir seus sonhos e conquistas, é quando o Victor percebe que Walton cometerá o mesmo erro que ele cometeu movido pela busca do conhecimento, é então que o Doutor começa narrar sua própria história para o explorador.

“Quem poderá imaginar os horrores dos meus esforços secretos enquanto eu chapinhava entre os profanos vapores do túmulo ou torturava o animal vivente para animar o barro sem vida?”

Frank

A narrativa é feita através de camadas, Walton narra sua viagem para a irmã, Victor narra sua vida para Walton e a Criatura conta sua história para Victor, depois o ciclo vai fechando de novo, terminando com Walton narrando toda a história para sua irmã. Isso faz com que a narrativa não seja confiável, e o leitor se pergunta o tempo todo se os fatos narrados aconteceram daquela forma ou não.

Um ponto crucial de toda a narrativa é as questões envolvidas entre criador e criatura, ora, Frankenstein não estaria sob tal loucura cientifica que só descansou quando enfim trouxe um ser inanimado a vida? –  E, como reação se assustou com sua própria criação e o abandonou a sua própria sorte? –  E a criatura, perdida no mundo, sozinha e sem saber para onde ir, ao descobrir a monstruosidade que era, não era justo e correto que voltasse todo seu ódio para o criador? –  O mesmo que não demostrou afeto e cuidado em nenhum momento com a sua própria criatura?

“Diabo – Exclamei -, como ousa aproximar-te de mim? E não temes a feroz vingança dos golpes do meu braço sobre a tua cabeça miserável? Fora, vil inseto!”

Frankenstein é considerado o primeiro livro de ficção cientifica, porém mais do que explicar através da ciência e da tecnologia os avanços que os homens poderiam alcançar, Mary discute com maestria a natureza humana e as consequências de seus atos. Do momento em que a criatura foi agraciado com a centelha da vida, ele era responsabilidade do seu criador, responsabilidade intransferível, e ao fugir dessa responsabilidade ele é igualmente responsável por aquilo em que a criatura se transformou e ao se dar conta disso, enfim criador e criatura se enfrentam selando o destino de ambos.

Eu recomento muito a leitura do livro, tanto para conhecer a história original como para tirar suas próprias conclusões dessa narrativa que já atravessa os séculos, a minha edição é da editora Martin Claret com a introdução escrita pela própria Mary Shelley e o Prefácio pelo Marlow.

Foram inúmero filmes, séries, quadrinhos e outras alusões a esse personagem tão conhecido da literatura, e logo mais irá estrear mais um para a coleção, Victor Frankenstein, o filme contatará com os atores James McAvoy como Franskesntein e Daniel Radcliffe interpretará Igor, que será também o narrador da história, abaixo o trailer do filme, com previsão de estreia em 26 de novembro desse ano.

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