‘Spotlight – Segredos Revelados’: a luz no fim do túnel do bom Jornalismo

Estreou no início deste ano aqui no Brasil Spotlight – Segredos Revelados, um drama baseado em fatos, dirigido por Tom McCarthy e estrelado por Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Stanley Tucci e grande elenco. Um “pouco” atrasada, minha crítica sai a tempo para a maior premiação do cinema, o Oscar, que acontece no dia 28 de Fevereiro em Los Angeles.

O filme mostra um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de puni-los pelo caso. Com a chegada do novo editor-chefe, Marty Baron (Liev Schreiber), ao Boston Globe, a equipe de investigações do jornal, Spotlight, passa a apurar o caso e denunciá-lo.

Spotlight – Segredos Revelados nos leva à uma aula do bom Jornalismo Investigativo. É instigante ver como uma equipe jornalística que investiga um caso é obrigada a deixar uma pauta – que lhe custou alguns meses – de lado, para cuidar de outro fato tão polêmico e sensível, visto que grande parte da população local é católica.

É cativante notar também o empenho e persistência dos jornalistas em buscar fontes seguras, confiáveis e importantes para o andamento da investigação; muitas delas só falaram após muita insistência. A apuração dos fatos durou alguns meses.

Quanto mais a Spotlight procura por provas, vítimas dos abusos e os próprios padres envolvidos, maior proporção ganhava o caso; saindo do âmbito local de Boston e ampliando para um alcance global.

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O jogo de interesses também é muito bem explorado no filme. Ver como arcebispos, padres, advogados e até mesmo jornalistas fizeram de tudo para acobertar esses casos de pedofilia é no mínimo revoltante.

O jornalista Michael Rezendes, personagem de Mark Ruffalo na trama, expressa em determinado momento do filme esse sentimento de ‘revolta’ e justiça, em divulgar todo esse sistema de pedofilia da Igreja Católica. É por essa atuação que Mark concorre ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante brilhantemente.

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Além de Melhor Ator Coadjuvante, Spotlight – Segredos Revelados concorre em outras cinco categorias do Oscar: Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem, Melhor Atriz Coadjuvante (Rachel McAdams), Melhor Diretor (Tom McCarthy) e Melhor Filme.

A denúncia do Boston Globe contra os casos de pedofilia da Igreja Católica em 2002 trouxe à tona crimes que ocorriam desde 1984, só em Boston. O serviço público prestado pelo jornal foi premiado com o Prêmio Pulitzer em 2003.

No ano passado, o Papa Francisco disse em coletiva de imprensa que quem acoberta pedofilia na Igreja “é culpado”, em uma atitude de “olhar para o próprio umbigo” e ter a consciência de que esses casos continuam ocorrendo no mundo. Mas que não colocará debaixo do tapete como antes.

O filme tem tudo para levar o Oscar de Melhor Filme. Spotlight ganhou o prêmio principal no Critic’s Choice Awards, um dos termômetros para o prêmio da Academia.

Mais que um ótimo filme, Spotlight – Segredos Revelados é a “luz no fim do túnel” do bom Jornalismo, feito com seriedade, sem sensacionalismo e independência.

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