Conversando sobre Literatura – Super Libris

Ultimamente a vida tem sido corrida. Norteada por um peso constante chamado TCC, que tem me desnorteado e causado angústias indescritíveis. Nada fora do esperado, mas um pouco desconfortável. Apesar dos sentimentos turbulentos, essa jornada está me fazendo refletir muito sobre literatura.

O tema do meu TCC é Crítica Literária Contemporânea, e por isso andei desbravando muita teoria literária e muitas discussões com foco na literatura. No meio de todo esse material encontrei a série Super Libris do Sesc TV, disponível aqui. A série é um projeto dividido em 52 programas temáticos em que autores nacionais falam sobre literatura. Abaixo o ~trailer~ do projeto.

Cada programa é dividido pelos quadros: Folha de Rosto, Quarta Capa, Prefácio, Pé de Página, Orelhas, Ptomlomeus, Colofão e Primeira Impressão. Com média de 26 minutos por episódio, é possível assistir o episódio inteiro ou só os quadros, do jeito que o espectador preferir.

O quadro Folha de Rosto é a primeira parte de todo episódio, nele acontece a entrevista com o autor, ocupando metade do episódio. As orelhas, cada episódio possui duas, indicam autores relacionados ao tema, com minibiografias e obras mais conhecidas. O Prefácio é realizado por três escritores infanto juvenis que recomendam leituras para essa faixa etária, de acordo com o tema do episódio. Os escritores são: Dolores Prades, Cristiane Tavares e Gabriela Romeu.

Na Quarta Capa, um youtuber indica um livro com uma breve resenha. No Pé de Página os autores respondem onde, como e por que escrevem. O quadro Ptolomeus aparece em alguns episódios e traz bibliotecas diferentes ou inusitadas. O Colofão também só aparece em alguns episódios e mostra pessoas que trabalham nas várias etapas da construção do livro, até chegar no leitor. Por último, o Primeiras Impressões encerra o episódio, com o autor indicando um livro que o inspirou.

Achei importante explicar a dinâmica dos programas antes de iniciar a reflexão. Por se tratar de autores nacionais, a literatura brasileira é fruto de muita discussão, e uma das que mais me chamou atenção foi sobre a construção da identidade nacional por meio da literatura, discutida mais detalhadamente no programa “A Literatura e o RG” com o escritor Eduardo Bueno.

A literatura como forma de expressão de um povo é de extrema importância nessa construção de identidade, de história e de futuro. Quando o autor Daniel Munduruku, relata no programa “Quando a pena do índio escreve” que Literatura Indígena é só uma palavra, pois ao começar escrever, nem sabia que era literatura e que escreve para se autoafirmar, para não esquecer sua história e para a sociedade saber de onde ele vem, fiquei arrepiada.

Porque sempre apenas arranhei essa camada de literatura nacional, e fiquei impressionada sobre o quão pouco eu conheço o Brasil pelos olhos da literatura. Uma conversa recorrente nos programas era a lista de mais vendidos, em que autores estrangeiros ocupam quase todas as posições, se tinha sido a globalização que proporcionou isso e varreu os autores nacionais das listas de ficção.

Assim como os autores, não tenho uma resposta assertiva sobre o assunto, mas parto do princípio que estamos num país com uma média de leitura anual baixíssima, que consome pouca literatura, e aqueles que consomem são bombardeados por um mercado que prioriza a literatura estrangeira e transformam isso em um marketing intenso.

Não quero  determinar o que cada um deve ler ou assistir, mas li em algum lugar, não me lembro agora qual, que ao conquistar um povo, uma das primeiras ações do conquistador é acabar com a cultura do conquistado, pois um povo sem cultura é um povo sem história e submisso.

Já decidi que vou ler mais literatura nacional, não porque é uma obrigação, mas porque quero entender melhor minhas raízes, meu país e o povo que vive nele. Ao assistir programa após programa, percebi quantos autores não conhecia, quantos só tinha ouvido falar e os pouquíssimos que já tinha lido. Nunca li cordel, poesia marginal, literatura de periferia, e tantas outras facetas da literatura nacional, que pretendo conhecer o mais breve possível.

Antes de terminar quero deixar o pensamento de um outro autor sobre um período histórico. O Bernardo Kucinski no programa “A memória das lutas e as lutas da memória” em que fala sobre ditadura e memória.

A memória sobre a ditadura é ambígua. Na medida em que o Brasil não assumiu o golpe como um trauma coletivo, ele recaiu em tragédias pessoais.

Não concordo com tudo que ouvi nos programas, mas eles foram importantes no meu processo de reflexão e análise sobre literatura. E indico para todo mundo, todo mundo mesmo, independente de gostar de literatura ou não. E se você ficou até o final do post, vale uma espiadinhas nos programas né!

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