As Pequenas Virtudes – Natalia Ginzburg

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Foto: Ana Caroline

As Pequenas Virtudes, livro da autora italiana Natalia Ginzburg, é um compilado de onze textos de caráter autobiográficos, escritos entre 1944 e 1962. A obra é dividida em duas partes, e os textos não estão em ordem cronológica, mas sim na ordem desejada pela autora, que lança esse livro em 1962, advertindo que são ensaios já antes publicados em revistas e jornais, e esclarecendo onde e quando foi escrito cada texto.

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Foto: Ana Caroline

Com uma prosa direta e forte, a autora vai relatando momentos, amigos e relações que viveu. O primeiro texto ‘Inverno em Abruzzo’ relata os momentos cotidianos da sua família no vilarejo de Abruzzo e a vontade de voltar a Roma, já que estavam longe de casa por conta da guerra. O texto termina de forma melancólica, falando da morte do seu marido, do tempo passado no vilarejo como o melhor da sua vida, mesmo que só tenha se dado conta disso, agora que esse tempo havia escapado. Simples e direto, começa com descrições, aparentemente, banais e termina como uma confissão.

Meu marido morreu em Roma, nas prisões de Regina Coeli, poucos meses depois de termos deixado o vilarejo. Diante do horror de sua morte solitária, diante das angustiantes vacilações que a antecedem, eu me pergunto se isso aconteceu a nós, a nós, que comprávamos as laranjas de Girò e íamos passear na neve

E é dessa forma que vamos passando texto após texto, das coisas cotidianas aos desdobramentos da sua alma, de uma escritora que se lança a falar sobre seus medos, seus erros e suas percepções. No texto ‘O Meu Ofício’ Natalia falará sobre a escrita, sobre a sua escrita e como esse ofício cresceu nela, suas experiências de escrita realizadas ainda na infância e juventude e o quão importante isso é na sua vida. É um texto que impacta o leitor, desde aquele que também escreve ao que nunca pensou nisso como ofício. Afinal, a relação descrita é tão intensa, tão necessária para a autora, que o leitor também se sente tomado pelas palavras.

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Foto: Ana Caroline

O último texto, ‘As pequenas Virtudes’, que dá nome ao livro, é um dos meus preferidos e traz uma abordagem interessante sobre as virtudes.

No que diz respeito à educação dos filhos, penso que se deva ensinar a eles não as pequenas virtudes, mas as grandes. Não a poupança, mas a generosidade e a indiferença ao dinheiro; não a prudência, mas a coragem e o desdém pelo perigo; não a astúcia, mas a franqueza e o amor à verdade; não a diplomacia, mas o amor ao próximo e a abnegação; não o desejo de sucesso, mas o desejo de ser e saber.

Um livro pequeno, 160 páginas, mas sensível e tocante. A casa editorial da autora no Brasil é a falecida Cosac Naify, mas seus livros ainda são encontrados em algumas livrarias. Além do ‘As Pequenas Virtudes’ a autora também teve as obras ‘Caro Michele’ e ‘Léxico Familiar’ publicadas pela Cosac Naify.

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Foto: Ana Caroline

SOBRE A AUTORA: Natalia nasceu em Palermo, em 1916, numa família de intelectuais judeus. Cresceu em Turim, cidade que partilhou com o poeta Cesare Pavese, amigo e intelectual da época. Casou com o professor e militante, Leone Ginzburg, preso e assassinado pelos Facistas em 1944. Anos depois casou-se com crítico literário, Gabrieli Baldini. Foi editora, ativista política e deputada e faleceu em 1991.

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