Dias de luta, dias de ‘GLORY’: a redenção de Britney Spears

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Três anos após lançar Britney Jean, seu disco de maior fracasso comercial, Britney Spears está de volta, e mais gloriosa do que nunca. A Princesinha do Pop lançou seu nono disco de estúdio intitulado Glory ontem, 26. O disco vazou na rede uma semana antes do lançamento após versões físicas circularem em lojas no México. Para o bem ou para o mal, já escutei o álbum e agora chegou a hora da verdade.

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Composto de 17 faixas em sua versão deluxe, Glory é um álbum com o selo Britney Spears de qualidade, isto é, músicas sexuais, de amor intenso e divertidas com o bons toques do pop chiclete, que fizeram de Britney uma das maiores vendedoras de álbuns e lendas da música pop na década passada. Além disso, Glory é a redenção da cantora frente aos seus últimos três álbuns: Circus (2008), Femme Fatale (2011) e Britney Jean (2013), que soaram genéricos e apostaram primordialmente no pop eletrônico. Sem mais delongas, vamos ao faixa a faixa.

1. Invitationo carro abre alas de Glory é cheio de luz e muito amor. Invitation é uma linda canção de amor, quase uma baladinha. Britney esbanja uma voz quase angelical na música com poucos efeitos de modificação. Invitation lembra um pouco Lotus Intro da Christina Aguilera (sem comparações tá?!), principalmente por toda essa “luz” que a música transmite. É uma excelente faixa para iniciar os trabalhos e já é uma das minhas favoritas.

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2. Make Me feat. G-Eazy: primeiro single do GloryMake Me é aquela faixa que você gosta logo de cara. Refrão chiclete e batidas marcantes, reflexo da parceria com o produtor Mischke, que já trabalhou com artistas como Michael Jackson, Jennifer Lopez e Little Mix, e produziu mais da metade das faixas do álbum. A letra, bom, é puramente sexual. Britney chama seu mozão (seja lá quem for) pra cama. G-Eazy, único “feat” do álbum, faz seus raps que dão mais fôlego à canção. Britney filmou um videoclipe, que parecia todo sexy e repleto de coreografia pelas fotos divulgadas, teasers vazados e até vídeo de ensaio no Instagram, com direção do fotógrafo David LaChapelle, mas refilmou o vídeo, agora com direção de Randee St. Nicholas, por considerá-lo sexy demais e sem sentido. O resultado é esse abaixo (não te perdoei ainda Britney).

3. Private Showsingle promocional do disco e de sua fragrância homônima, Private Show é um dos grandes trunfos do disco. Com mais uma letra sexual, a produção da canção é espetacular, que ficou a cargo de Young Fyre e Mischke. Melodicamente é a música mais diferente de tudo o que Britney já fez em sua carreira. É sem dúvidas uma das melhores do álbum. Ponto pra Britney! Veja o comercial da fragrância abaixo:

4. Man On the Moonaqui Britney mostra por que herdou o título de Princesinha do Pop. Que voz é essa hein? A voz suave, delicada e cheia de paixão está de volta. Parece que Britney Spears visitou seus trabalhos anteriores como Britney (2001) e In The Zone (2003) para se inspirar. A letra fala de uma garota sonhadora, que está a espera de seu par perfeito.

Britney e seu Man on the Moon, hahaha! Foto do MTV VMA 2008.
Britney e seu Man on the Moon, hahaha! Foto do MTV VMA 2008.

5. Just Luv Mena mesma pegada de Man On the MoonJust Luv Me é uma baladinha focada na voz angelical de Britney. É uma música bonitinha, mas nada demais. Comum.

6. Clumsya sexta faixa do Glory é aquele pop divertido. O início da música remete a algo burlesco, mas que logo é sucumbido pelo refrão eletropop. É uma boa música, mas nada acima da média.

7. Do You Wanna Come Over?com um toque à lá Like I Love You do Justin Timberlake, Britney dá uma agitada no Glory com Do You Wanna Come Over?. Que faixa hein amigos! Você ficará com o Whatever you want, whatever you need, I’ll do it, I’ll do it. Do you wanna come over? na cabeça. A produção da faixa fica a cargo do duo sueco Mattman & Robin, que já produziu pra Taylor Swift e escreveu a faixa DNA da Wanessa Camargo em seus bons tempos.

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8. Slumber Partyna festa do pijama, Britney é aquela que quer brincar de verdade ou desafio e não quer dormir por nada. Com mais uma letra sexy, uma das sete compostas pela cantora Julia Michaels (aquela que cantou com o DJ Kygo na cerimônia de encerramento das Olimpíadas do Rio e é um dos nomes por trás de Sorry do Justin Bieber), Slumber Party tem uma pegada “reggae” maravilhosa. Uma das melhores faixas do disco. É praticamente uma Criminal do Glory.

9. Just Like Meprovavelmente a faixa mais fraca do disco. Letra repetitiva, produção que não ajuda muito a evolução da canção, que morre na praia.

10. Love Me Downo dubstep do In The Zone surge em Love Me Down. Uma faixa muito bem produzida até o pré-refrão chiclete, mas que se perde no refrão. Quando escutei pela primeira vez pensei que estivesse ouvindo All In My Head (Flex) do Fifth Harmony.

11. Hard to Forget Yanessa Britney tem dificuldade em esquecer daquele cara que a marcou. Diferentemente do que canta, Hard to Forget Ya é uma canção esquecível. Não chega a ser ruim, mas não faria falta alguma na tracklist final do álbum.

12. What You Needa décima segunda música seria uma gravação perfeita para Meghan Trainor. Isso por que a canção tem muito soul, que é algo que Meghan faz com maestria no pop de hoje. A música é boa, nota 8.5 de 10. What You Need mostra uma Britney fora da sua zona de conforto e explorando outros gêneros musicais.

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13. Betterfaixa composta pelo time de Sorry do Bieber (Julia Michaels, Justin Tranter e Michael Tucker) com co-autoria da própria Britney e produzida por Bloodpop, Better é dançante e animada como Sorry, mas está longe de soar como hit pronto.

14. Change Your Mind (No Seas Cortés)uma da músicas mais legais do álbum. Chiclete pra caramba, que você vai sair por aí cantando No seas cortés, I’ma make change your mind.

15. Liarbem, essa aqui é toda afrontosa. Quando Britney e Justin Timberlake terminaram o seu relacionamento lá em 2002, o moço lançou Cry Me a River, música que lançou definitivamente Timberlake em carreira solo e que contava de uma suposta traição de Britney, saca só:

But girl I refuse, you must have me confused with some other guy. Bridges are burned, now it’s your turn to cry. Cry me a river ♫ (Garota eu recuso, você deve ter me confundido com outro cara. Suas pontes foram queimadas, e agora é sua vez de chorar. Chore um rio por mim)

Pois bem, no maior estilo Kardashian “eu vou expô-lo”, Britney demorou, mas resolveu por as cartas na mesa e responder à altura.

Left, right, nowhere to turn. I’m left in the ashes of the bridges you burned. Kamikaze fire come down, fire come down, fire-fire come down ♫ (Esquerda, direita, nenhum lugar para ir. Fui deixada nas cinzas das pontes que você queimou. Um fogo suicida caindo, fogo caindo, fogo-fogo caindo) 

[…] Crawl, crawl, crawl, but I’m never coming down. Baby, cry, cry, cry. You ain’t fooling anyone. You know I know that you know I know, that you’re a liar, a liar ♫ (Rasteje, rasteje, rasteje, mas eu nunca vou descer. Querido, chore, chore, chore. Você não engana ninguém. Você sabe que eu sei que você sabe que eu sei, que você é um mentiroso, um mentiroso). 

EITA! Será que teremos resposta do Timberlake? Hahaha! E além dessa letra toda biográfica (ou não), a música é muito boa. O produtor responsável pelas batidas perfeitas, que deram o tom de vingança é Jason Evigan, responsável por músicas como Heart Attack da Demi e Ghosttown da Madonna.

Chora Justin!
Chora Justin!

16. If I’m Dancingaos fãs que esperavam encontrar no Glory várias músicas para dançar na balada e já estavam tristes por não ter nenhuma “farofa”, Britney os presenteou com If I’m Dancing. Essa é um hit pronto, feito para virar single e tocar nas pistas. A letra é boba, mas a batida… ah! Produzida por Ian Kirkpatrick (já trabalhou com Chris Brown, Hilary Duff, Jason Derulo e Justin Bieber), a faixa tem uma batida à lá funk carioca. Britney sempre lembrando dos fãs brasileiros, né nom! Na próxima, Britney já pode chamar Valesca Popozuda, Ludmilla, Anitta e cia para fazer baile de favela, hahaha!

17. Coupure Électriqueà lá Celine Dion, Britney mostra que manja dos paranauês no francês. É fazendo biquinho que Coupure Électrique fecha o Glory, tá bem mon amour. Com muito amor pra dar (literalmente), Britney sofre uma “queda de energia” (tradução para Coupure Électrique) e esquece do mundo quando está com seu amado na cama, ele é a luz dela (awwn); é o que conta a canção, que é quase um interlude.

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Glory é um álbum de altos e baixos: tem um início muito bom, um miolo com faixas bem regulares e um final satisfatório. Porém, traz uma Britney mais disposta mostrar sua voz, deixando elementos eletrônicos em segundo plano e apostando mais no pop urban, que utiliza batidas mais sujas e explora toda a sensualidade do R&B. Glory possui ótimas composições e principalmente produções, é verdadeiramente um álbum digno do nome Britney Spears, mesmo que não cause nenhuma surpresa. Afinal, essa é a Britney que conhecemos: falando de sexo, amor, baladas, boys e sexo de novo.

Glory não é nenhum divisor de águas na carreira de Britney Spears, mesmo que soe diferente de outros trabalhos da loira, mas é o melhor álbum dela desde Blackout (2007). De forma geral, é a consolidação definitiva de uma artista que já não precisa provar nada a ninguém, não precisa vender milhões de discos ou estar no topo dos charts, esgotar ingressos para os seus shows em Las Vegas (mesmo que ela o faça) ou até mesmo ligar para os que em pleno 2016 ainda a criticam e tentam desmerecer seu trabalho em função do playback de sempre.

Glory é um álbum feito para os fãs e acima de tudo, para própria Britney Spears, que parece estar mais feliz do que nunca com o seu novo trabalho. A Princesinha do Pop está de volta e toda GLÓRIA seja dada a isso!

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