‘Revolution Radio’ mostra que o punk rock do Green Day está mais vivo do que nunca

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Quatro anos após lançar a questionável trilogia ¡Uno! ¡Dos! ¡Tré!, um dos maiores grupos de punk rock do mundo está de volta, o Green Day. Billie Joe Armstrong, Mike Dirnt e Tré Cool resolveram tirar as roupas pretas do armário e os instrumentos do baú para lançar o décimo segundo álbum da banda, Revolution Radio.

Após o sucesso estrondoso de American Idiot em 2004/2005 e da boa recepção do melancólico 21st Century Breakdown em 2009, a banda amargou maus resultados com o péssimo conjunto ¡Uno! ¡Dos! ¡Tré! em 2012 – três discos muito fracos para o padrão Green Day de qualidade. Porém, Revolution Radio chega pra fazer qualquer fã da banda esquecer daquela trilogia e lembrar dos bons tempos do trio.

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Foto: Rolling Stone.

1. Somewhere Nowa faixa que abre os trabalhos possui uma excelente melodia, que trabalha com a ideia da revolução tecnológica em que vivemos, na qual estamos “chapados” pelas ondas dos celulares. A canção começa em um tom suave e ganha força aos poucos, algo parecido que acontece com faixas do 21st Century Breakdown

2. Bang Banguma das músicas mais legais do álbum tem uma das letras mais bacanas do disco. Aqui Billie Joe fala da questão do porte de armas nos EUA (mas que pode ser aplicado em outros casos também), que cria “Daddy’s little psycho and mommy’s little soldier” (pequeno psicopata do papai e soldadinho da mamãe) em seus dramas pessoais. A música é o melhor que o Green Day faz, punk rock de qualidade, não à toa é o primeiro single do disco.

3. Revolution Radioa faixa título é interessante no que diz respeito a produção, mas a composição em si parece algo batido, que já foi dito em algum momento da história, sabe?! O “We will be seen, but not be heard” (seremos vistos, mas não ouvidos) apesar de ainda estar aí na sociedade, talvez não funcione ou tenha o mesmo impacto pra essa nova geração de fãs da banda. Mas é uma ótima música.

4. Say GoodbyeSay Goodbye é uma das músicas que mais gostei. Tem uma letra forte que fala da violência que cresce a cada dia no mundo. A produção da faixa lembra Holiday do American Idiot em algumas partes.

Say goodbye to the ones that we love. Violence on the rise, like a bullet in the sky. Oh Lord, have mercy on my soul“. (Diga adeus àqueles que amamos. Violência em ascensão como uma bala no céu. Oh Senhor, tenha piedade da minha alma). 

5. Outlawsem Outlaws toda a melancolia que é muito presente no álbum 21st Century Breakdown reaparece. É uma música com grande potencial de single, pois tem uma letra forte e radiofônica.

Foto: Facebook da banda.
Foto: Facebook da banda.

6. Bouncing Off the Wallé bem “divertida” para os padrões Green Day, apesar de lembrar bem de relance o ¡Uno!.

7. Still Breathingsegundo single do álbum, Still Breathing parece alguma canção do Paramore, não sei por que veio essa relação doida, rsrs. Talvez seja porque a música é bem pop rock e com letra bem teen. Mas gosto bastante da faixa e foi uma ótima escolha de single.

8. YoungbloodYoungblood lembra o Green Day do final dos anos 90 e começo dos anos 2000. É um som mais leve e descontraído. Confesso que é uma das músicas que menos gostei no álbum.

9. Too Dumb to Dieseguindo o mesmo de Youngblood, Too Dumb to Die é muito Green Day da década passada, mas diferentemente da faixa oito, essa consegue ser leve, descontraída e muito radiofônica. O refrão é bem viciante: “Looking for a cause, but all I got was camouflage. I’m hanging on a dream that’s too dumb to die“.

10. Troubled Timesa décima faixa é a minha favorita. Troubled Times é de uma verdade absurda. “Quão bom é amor e paz na terra? Quando é exclusivo. Onde está a verdade na palavra escrita? Se ninguém lê-la” entoa Billie Joe. O tom suave nos versos e pré-refrões mesclados com a força do refrão dão um retoque único à música. We live in troubled times, oh oh oh ♫ ♪

Foto: Facebook da banda.
Foto: Facebook da banda.

11. Forever Nowao estilo Jesus of SuburbiaForever Now é a faixa mais longa do disco. Possui 6’52” de duração e é “dividida” em três partes: I’m Freaking Out, A Better Way to Die e Somewhere (Reprise), como se fossem três músicas dentro de uma. Curto bastante esse tipo de trabalho do Green Day, as nuances entre uma “faixa e outra” são sensacionais.

12. Ordinary Worldpara encerrar o disco, Billie Joe e cia resolveram dar uma acalmada nos ânimos na intimista Ordinary World. Uma canção de amor tocada toda no violão. É uma faixa boa para encerrar o disco, muito embora não ande de mãos dadas com o resto do álbum.

Revolution Radio mostra que o punk rock do Green Day está mais vivo do que nunca. A banda demonstra que ainda sabe fazer músicas de protesto, muito embora essas já não tenham o mesmo peso como em discos anteriores, como o 39/Smooth (1990), Dookie (1994), Warning (2000) e American Idiot (2004).

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Foto: Facebook da banda.

O Green Day já escreveu o seu legado na música, tornando-se uma das maiores bandas de punk rock da história, uma verdadeira lenda. Não dá pra exigir que os caras continuem superando álbum atrás de álbum nesses mais de 30 anos de carreira. O que se pode exigir é que a qualidade dos discos seja no “padrão Green Day”, e isso Revolution Radio tem de sobra.

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