Extremamente Alto e Incrivelmente Perto – Jonathan Safran Foer

Definitivamente não estava nos meus planos ler Extremamente Alto e Incrivelmente Perto este ano ou no próximo, na verdade, simplesmente não estava nos planos. Só que esse era o livro de dezembro do Leituras Compartilhadas, realizado pelos espanadores, clube de leitura que queria frequentar há tempos. Logo, não teve outro jeito, o livro do Jonathan Safran Foer entrou nos planos.

Para cumprir a tarefa emprestei o livro da biblioteca e embarquei na jornada de Oskar Shell, um garoto de nove anos que perde o pai após os ataques no World Trade Center e empreende uma busca para solucionar um mistério ligado ao seu pai. Oskar é extraordinariamente inteligente e curioso, se autodenomina pacifista, cientista, epidemiólogo e mais um monte de outras coisas. Como narrador principal da história ele é caótico e alterna momentos de sabedoria e ingenuidade.

Thomas Shell era uma inspiração para Oskar e sua morte repentina em uma reunião de negócios no restaurante que ficava no último andar do World Trade Center foi um tremendo baque na vida do garoto. Após encontrar uma chave no paletó do seu pai, com uma única pista, um envelope escrito Black, ele está decidido a descobrir o que essa chave abre. Nessa jornada ele vai encontrar muitas pessoas e se encontrar na tentativa de lidar com o luto pela morte do pai.

Em paralelo com a história de Oskar acompanhamos a narrativa de seus avós paternos, ambos sobreviventes do bombardeio em Dresden, ambos com intensas cicatrizes e uma dor que nunca é sanada. O avô inclusive nunca mais falou depois do ataque e se comunica por cadernos em que escreve seus pensamentos e sentimentos. A vida em conjunto deles é permeada por espaços intitulados Algo e Nada, porém com o passar do tempo eles estão rodeados de Nada, mais um vez demonstrando que após sobreviver a uma grande tragédia e perder seus entes mais queridos, é muito fácil se deixar cercar por nada.

O livro foi publicado em 2005, em um tempo relativamente curto desde os ataques de 2001, e o autor tenta de alguma forma reviver o ataque, fechar um círculo através do Oskar e discorrer sobre outras tragédias como o bombardeio de Dresden e a bomba atômica em Hiroshima. Ele traz essas tragédias para o âmbito individual e cria um laço de empatia com o leitor que acompanha esse sofrimento. O grande tema do livro são as tragédias que permeiam essa família, moldando seus sonhos e suas perspectivas.

No clube do livro foi discutido vários pontos sobre a obra, uma questão que chama atenção são os elementos extra textuais que o autor usa, como fotos, registros e borrões para extrapolar as sensações dos leitores. Em vários momentos Oskar fala que suas botas estão pesadas ou pesadíssimas fazendo alusão a alguma situação que o deixou triste, angustiado. Talvez a melhor forma de definir Extremamente Alto e Incrivelmente Perto é que ele nos deixa com as botas muito pesadas.

…é uma pena que seja necessário viver, mas é uma tragédia que possamos viver apenas uma vida, porque se eu tivesse duas vidas teria passado uma ao lado dela.

Por ter terminado de ler esse livro aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, não consegui tirar fotos do livro para mostrar por aqui. Nada que um Google não resolva.

SOBRE O AUTOR: Jonathan Safran Foer nasceu em fevereiro de 1977 em Washington. Formado em Filosofia, em 1999, por Princeton, viajou para expandir sua tese no que resultou em seu primeiro livro, lançado em 2002, Tudo se Ilumina, que conta a história de um judeu que quer saber mais sobre o seu avô que sobreviveu aos nazistas. Em 2005 lança Extremamente Alto e Incrivelmente perto e em 2009 lança seu primeiro livro de não ficção: Comer Animais, sobre a questão ética de comer animais. Além de alguns artigos publicados, em 2016 publicou Here I Am, ainda não publicado no Brasil.

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