Alicia Keys empodera mulheres e negros em ‘HERE’

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A cantora Alicia Keys lançou no início do mês passado, o sexto álbum de sua carreira. Intitulado HERE, o disco chegou quatro anos após o premiado Girl On Fire (2012). Toda essa espera dos fãs por um material inédito da artista valeu super a pena.

Tratando de temas atuais e importantes da sociedade, como racismo, homossexualidade e feminismo, Alicia nos agracia com 18 músicas fantásticas das quais falarei agora.

Foto: Facebook da artista.
Foto: Facebook da artista.

1. The Beginning (Interlude)a faixa que abre HERE não é uma música, e sim um discurso. O interlude é um discurso poderoso de Alicia que guia toda a temática do disco. É Alicia Keys voltando (se é que algum dia ela saiu) às suas origens.

I’m the mystery of what’s inside the speaker cables. I’m Nina Simone in the park and Harlem in the dark. I’m the musical to the project fables. I’m the words scratched out on the record label.

2. The Gospelcom uma crítica social e política forte na letra e no canto (de revolta) de Alicia Keys, The Gospel é uma das músicas mais fortes do álbum. Além disso, The Gospel é título para o curta metragem (por que estamos na era conceitual né), que serviu de divulgação para o disco.

3. Pawn It AllPawn It All parece uma continuação de The Gospel, muito embora aborde especificamente de “recomeço” e de viver uma vida mais simples.

4. Elaine Brown (Interlude)neste interlude, Alicia faz um discurso feminista, maternal e de exaltação de sua negritude. O que condiz com o nome da faixa em questão, já que Elaine Brown é escritora, ativista e participou do partido dos Panteras Negras.

Black mother, I must confess that I still breathe. Though you are not yet free
What could justify my prying? Stop forgive my coward’s heart, but blame me not for sheepish needs. While we sleeping in a deep-deep sleep and I be hazed and dazed and fight especially for my hair.

Foto: Mary Ellen Matthews (Facebook da artista).
Foto: Mary Ellen Matthews (Facebook da artista).

5. Kill Your Mamaassim como The Gospel, Kill Your Mama tem uma forte crítica social com o viés maternal. Alicia “basicamente” fala de mães que perdem seus filhos todos os dias para as ruas, seja pelas drogas, seja pela violência policial. A música é toda na base do violão, o que a deixa como se fosse uma “canção de súplica”. A cantora britânica Emeli Sandé co-escreveu a música com Alicia.

Is there any savin’ us? We’ve become so dangerous. Is there any change in us? Even for the sake of love. How you gonna kill your mama? When only mama is gonna love you to the grave.

6. She Don’t Really Care / 1 Luvcom uma sonoridade parecida com músicas do As I Am (2007), She Don’t Really Care é uma linda música de R&B, que só Alicia sabe fazer. A letra é bem nova iorquina e fala sobre não se importar com bens materiais. “She grew up in Brooklyn, She grew up in Harlem, She grew up in Bronx. She know she was a queen, She lived in Queens. But she don’t really care, She don’t really care. She throw them diamonds in the air“. Alicia ainda emenda com o trecho de 1 Luv.

7. Elevate (Interlude)em mais um interlude, Alicia faz um discurso inspirador.

You gotta always add on. We always build, we always grow. We elevate, by elevation. So, the way I touch this now, it’s just gotta be like.

8. Illusion of Blissem Illusion of Bliss, Alicia dá uma aula de canto. Que voz maravilhosa, sério! A canção possui duas partes, uma mais trabalhada em batidas pulsantes de R&B clássico e com uma voz mais “revoltada” de Alicia. E uma segunda parte focada no piano e na voz mais delicada da cantora. É uma das melhores faixas do álbum.

9. Blended Family (What You Do for Love) feat. A$AP Rocky: o único “feat” do álbum é o segundo single de trabalho de Alicia. Blended Family (What You Do for Love) tem participação do rapper A$AP Rocky, que ajudou a escrever a faixa. Alicia prega o amor incondicional aos enteados, aos filhos adotivos, à família. É uma das minhas músicas favoritas do HERE.

10. Work on Item Work on It, Alicia ganha o apoio de um velho conhecido, Pharrell Williams. O cantor e produtor escreveu e produziu a faixa com Alicia. O resultado é muito bom. Work on It é uma das canções mais “refinadas” do disco.

11. Cocoa Butter (Cross & Pic Interlude)neste interlude, Alicia discute com dois homens sobre insegurança em relação ao corpo. É um diálogo engraçado.

12. Girl Can’t Be Herselfcom um discurso feminista, em Girl Can’t Be Herself, Alicia diz chorar ao ver uma mulher não poder ser ela mesma na sociedade. É uma crítica ao padrão de beleza imposto à mulher na sociedade. Gosto bastante da produção da canção, é animada.

Who says I must conceal what I’m made of? Maybe all this Maybelline is covering my self-esteem. Whose job is it to straighten out my curves? I’m so tired of that image, that’s my word. What if today I don’t feel like putting heels on? Who are you to criticize when beauty’s only in the eyes.

13. You Glow (Interlude)o último interlude do disco, é um discurso de Alicia sobre um caso de racismo.

I heard this lil girl in PS257 yelled out one day to the teacher. And said: That shit is whack. And she stood up in the classroom and walked up from the back. And stood in front of the classroom where her history was attacked and said. You are not niggers, as a matter of fact you are not really even black. I’ll prove it to you, I’ll put every last one of y’all in a row. Put some Vasoline and baby oil in your face and look in the mirror, look my beloved, you glow.

14. More Than We Knowpossivelmente uma das músicas que mais se aproximam ao estilo de Alicia no início da carreira, no Songs in A Minor (2001) e no The Diary of Alicia Keys (2003). More Than We Know é um R&B da melhor qualidade com o selo Alicia Keys de aprovação.

Foto: Facebook da artista.
Foto: Facebook da artista.

15. Where Do We Begin Nowuma das músicas mais sexys do HERE é justamente a que menos casa com o resto do material. Mesmo falando de amor, Where Do We Begin Now parece meio deslocada de todo o conceito do disco. É daquelas músicas “vamos fazer volume” na tracklist.

16. Holy Wara melhor música do disco. Holy War é de uma sensibilidade crítica louvável. Alicia questiona a forma como a sexualidade é banalizada e criticada na sociedade, assim como o ódio gratuito espalhado por aí e pede por mais amor entre as pessoas. É lindo escutar as ondulações vocais – a delicadeza nos versos e a potência vocal no refrão – de Alicia durante a canção. Sem dúvidas, é uma das melhores músicas da carreira de Alicia Keys.

17. Hallelujahaqui Alicia reza e perde perdão de seus pecados, em uma linda canção ~pra variar~. Hallelujah é a prova de que Alicia é uma das maiores cantoras de R&B de todos os tempos. Excelente música!

18. In CommonIn Common é a faixa perfeita para encerrar o disco. A música que serviu de primeiro single do álbum, fala de um amor que existe graças as similaridades entre as partes. Gosto bastante do som da música, que lembra canções africanas.

Para a parte visual do disco, seguindo a linha de lançamentos da Beyoncé e da Tove Lo, Alicia Keys aposta em um curta metragem. The Gospel foi escrito e dirigido pela diretora nova iorquina A.V. Rockwell, e teve como inspiração ~obviamente~ nas músicas e pensamentos de Alicia. O curta é todo ambientado em New York, mostrando os prédios e o subúrbio da maior megalópole do mundo; é todo em preto e branco também. Possui quatro capítulos: All God’s Children, Sweet Girl, Young Love e The Gift. Entre os temas abordados, Alicia mostra, sobretudo, a vida dos negros em New York, seja crianças, adultos, idosos, homens ou mulheres. A alegria das crianças aparece em All God’s Children, a força da mulher negra Sweet Girl, o amor juvenil em Young Love e o desrespeito ao negro em The Gift. Tudo isso acompanhado de uma Alicia Keys apaixonada por New York, que em seu quarto compõe e toca suas novas canções. As faixas que tocam no curta são respectivamente: The Gospel, Pawn It All, She Don’t Really Care, 1 Luv, Illusion of Bliss e 28 Thousand Days – esta última, lançada no ano passado por Alicia, mas que não está presente no HERE.

O curta, assim como o álbum, é cheio de empoderamento negro. Alicia Keys desde o início de sua carreira sempre teve esse empoderamento, que se acentuou em HERE, afinal, 15 anos de carreira, ser mãe de dois filhos e jurada do The Voice USA, não é pra qualquer uma. Alicia está mais madura e engajada do que nunca. O empoderamento da mulher negra em um país misógino e preconceituoso, como é os EUA, é necessário. Com HERE, Alicia Keys passa a mensagem de que está “aqui” para lutar contra isso, usando de sua música, de sua arte, para tornar o mundo um lugar igual para as mulheres, para os homens, para os negros, para todos.

HERE é sem sombra de dúvidas, um dos melhores discos de 2016. Parabéns Mrs. Alicia Keys, you go girl!

Foto: Facebook da artista.
Foto: Facebook da artista.

 

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