O Ano em que disse Sim – Shonda Rhimes

Então. Quando eu digo que vou fazer algo, eu faço. Quando digo que vou fazer algo, faço de verdade. Eu me atiro à tarefa e faço. Faço até me esfolar. Vou até a linha de chegada. Não importa o que aconteça. Não. Importa. O. Que. Aconteça.

Shonda Rhimes é uma roteirista bem sucedida, mãe de três filhas, empresária e criadora das séries Grey’s Anatomy, Scandal e Private Practice e produtora executiva de How To Get Away With Murder. Aparentemente com uma vida estabilizada e sem muitos problemas ela estaria no auge da sua carreira e da sua vida particular, é inclusive o que ela acredita, até que ajudando sua irmã mais velha no jantar de ação de graças e contando sobre todos os convites que recebeu, sua irmã lhe diz que ela nunca diz sim para nada. Inicialmente a reação da Shonda é negar veementemente, porém logo ela admite para si mesma que nunca fala sim para nada e durante uma crise quase existencial ela resolve criar o Ano do Sim, um ano para falar sim para tudo aquilo que a assusta e que a deixa presa no mesmo lugar.

Eu disse “sim” a algo que me apavorava. E então eu o fiz. E não morri.

Discursos, palestras, jantares, entrevistas, Shonda colecionava negativas, possuía um medo paralisante de falar em público e no Ano do Sim ela teve que enfrentar todos esses medos. O livro vai contar essas experiências e as consequências para sua vida. A principio o sim parece ser uma resposta a convites, mas logo ele se torna uma chave para permitir coisas boas e se livrar das ruins. Durante esse ano Shonda falou sim para muitas coisas: falou sim para sua saúde, deixando de descontar suas frustações na comida; falou sim em dizer não para pedidos absurdos que ela nunca conseguia negar; falou sim em abrir mão de pessoas que não podiam vê-la bem; falou sim para passar um tempo de qualidade com suas filhas. O Ano do Sim se transformou em uma vida de sim, não se esconder por medo, não se encolher em si mesma e aproveitar aquilo que a vida oferece.

Sempre que dizia “sim” ganhava novos amigos e novas experiências e me via envolvida em projetos dos quais jamais sonharia em fazer parte.

Logo no começo do livro ela admite ser mentirosa, essa é sua profissão, contar histórias, arranjar conflitos e construir trilhos para os trens que estão vindo, esses trens são suas séries, a cada oito dias ela precisa entregar um novo episódio, ela precisa continuar montando os trilhos, o problema é que ela também estava montando trilhos para sua vida, construindo ficção em torno da realidade e o Ano do Sim a ajudou a perceber isso, como a forma com que ela via algumas pessoas só estava na sua cabeça e não correspondia como essas pessoas eram de verdade. Todas as experiências são narradas de forma irônica e divertida com quebras de linearidade narrativa e referências pop, demonstrando todo o talento da Shonda em contar histórias.

O Ano do Sim, percebo, se tornou uma bola de neve rolando colina abaixo. Cada “sim” rola para o seguinte, e a bola de neve cresce e cresce e cresce. Cada “sim” muda algo em mim. Cada “sim” é um pouco mais transformador. Cada “sim” inicia uma nova fase de evolução.

Em nenhum momento o livro conversa com o leitor no sentido de dizer o que ele tem que fazer, como tem que mudar sua vida. A Shonda só narra a sua experiência de vida, mas é uma narrativa poderosa por conseguir chegar a tantas pessoas, devido ao sucesso das suas séries. Em determinado momento do livro a Shonda vai afirmar que muitas das coisas que ela não conseguia dizer acabava na boca da Cristina Yang (Sandra Oh) em Grey’s Anatomy e a forma como ela se refere a personagem é extremamente passional e quando você vai ver suas séries depois de ler o livro e entender sua voz, cada monólogo, cada discurso está cheio da voz da Shonda e isso é incrível. Ela é uma criadora que se preocupa com representatividade e conseguimos enxergar isso nas suas séries, o relacionamento de amizade e troca entre Meredith Grey (Ellen Pompeo) e Cristina é um dos melhores relacionamentos de Grey’s. O fato de todas as suas séries terem personagens negros e homossexuais com vidas complexas e tridimensionais faz toda diferença e é um passo para minar o preconceito e a forma como o público vê essas pessoas.

Não deixe que ele tire o seu brilho. Ele é o cara dos sonhos. – diz ela. Mas não é o sol. Você é.  – Cristina Yang

Shonda e suas protagonistas

Já era fã das séries da Shonda antes do livro, mas o livro só me fez aprecia-las ainda mais e descobrir um pouco mais sobre essa mulher maravilhosa que é a Shonda. Além de me fazer pensar na minha própria vida e nos meus medos e coisas que sempre digo não. Foi uma ótima experiência e recomendo o livro para quem quiser conhecer e se questionar mais.

Se você gostou do post não esqueça de curtir, comentar e compartilhar:)

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