Mulher-Maravilha: poderoso e representativo

Após anos de tentativas frustradas para levar a história da heroína mais famosa dos quadrinhos aos cinemas, Mulher-Maravilha finalmente tem um filme para chamar de seu. Dirigido por Patty Jenkins e estrelado por Gal Gadot, o filme narra a origem de Diana Prince, Princesa das Amazonas, que é treinada desde criança por sua tia Antíope (Robin Wright) para se tornar uma guerreira de Themyscira (uma ilha paradisíaca). Após o piloto Steve Trevor (Chris Pine) sofrer um acidente e cair na ilha, Diana descobre que há uma guerra em curso no mundo e resolve ir à luta com Steve para acabar com a mesma.

O primeiro ato do filme ocorre tão rápido, que em poucos minutos saímos dos deslumbrantes e coloridos cenários de Themyscira e somos jogados na fria e carrancuda Londres. Nesse curto tempo, vemos a história da criação das Amazonas, o treinamento de Diana, o seu relacionamento com sua mãe Hipólita (Connie Nielsen), e principalmente a sua inocência e descoberta de seus poderes.

Imagem: Screen Rant.

A mulher não ter o direito de ser ouvida na sociedade era absolutamente normal no período da Primeira Guerra Mundial. Quando Diana chega a Londres e se depara com o tratamento que as mulheres recebem, o feminismo da personagem aparece. A abordagem que a diretora Patty Jenkins dá ao feminismo é na medida certa, afinal feminismo não é a mulher ser melhor que o homem, mas sim os dois terem os mesmos direitos, estarem ali em pé de igualdade. Sem contar que falar de Mulher-Maravilha em si, é falar sobre feminismo.

O humor, que era uma das cobranças que o grande público vinha exigindo nos filmes da DC, finalmente apareceu em Mulher-Maravilha. A inocência da personagem de Gal Gadot juntamente com garanhão/destemido Steve Travor de Chris Pine, dão todo o ar da graça. Além disso, outros personagens como Etta (Lucy Davis), Charlie (Ewen Bremmer) e Sameer (Saïd Taghmaoui) também despontam.

Todo esse humor é contrastado com muita, mas muita ação. Lutas muito bem coreografadas e executadas, efeitos visuais que saltam os olhos e a câmera lenta (olha o Zack Snyder dando uma forcinha para a Patty Jenkins aqui) que mostra com detalhes todos os movimentos da personagem. Um exemplo disso, é a batalha final entre a Mulher-Maravilha com Ares, o deus da guerra, que lembra muito cenas da batalha do Superman com o General Zod em O Homem de Aço (2013). As cenas em que Gal Gadot utiliza o laço da verdade são as melhores; é lindo pra caramba. As cenas iniciais na praia com as Amazonas também é um show à parte. O fato é que, ação e humor não faltam neste filme.

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O relacionamento entre Diana e Steve é o ponto central de toda a história. É a partir da relação dos dois, que Diana percebe que o mundo não é tão bom como ela pensou. Há homens bons e ruins, com ou sem a influência de Ares. Do primeiro ao segundo ato, a inocência e a fé de Diana no mundo é construída. No final do segundo para o terceiro ato, tudo isso desmorona e Diana, além de descobrir toda a extensão de seus poderes, torna-se a Mulher-Maravilha que conhecemos em Batman vs Superman: forte, segura de si e sabendo discernir entre o bem e o mal.

É importante ressaltar o bom trabalho de todo o elenco do filme, como os atores Danny Huston (General Ludendorff), Elena Anaya (Doutora Veneno) e David Thewlis (Sir Patrick), que são essenciais dentro do excelente roteiro. Mas, é inevitável não mencionar Chris Pine e Gal Gadot. Chris entrega com primor um personagem cativante e envolvente. Gal Gadot, que foi duramente criticada quando foi escalada para viver a heroína anos atrás, provou mais uma vez que ela é a Mulher-Maravilha que precisávamos. A atuação de Gal Gadot passa toda a confiança, poder, grandiosidade, liberdade, amor, compaixão e espírito da personagem, assim como Lynda Carter fez na série de TV dos anos 1970.

Mulher-Maravilha é o filme que a DC precisava, que os fãs precisavam, que o público precisava. Um verdadeiro e digno filme de origem. Bem amarrado, divertido, de tirar o fôlego. Entre tantos filmes de heróis já lançados, somente agora, em pleno 2017, temos um filme solo de uma heroína. Isso é representatividade e mostra que é possível sim fazer filmes solos de heroínas. Que venha filmes da Mulher-Gavião, Capitã Marvel e tantas outras personagens que merecem ter suas histórias contadas nos cinemas. No mais, que FILMÃO DA PORRA hein!

 

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