Orgulho e Preconceito – Jane Austen

É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico precisa de esposa.

A frase de abertura do romance de Jane Austen é amplamente conhecida e ocupa posição de destaque entre os começos mais icônicos da literatura. Elizabeth Bennet é a segunda filha de cinco irmãs de uma família de recursos razoáveis que moram no campo e que devido ao morgadio, a linha sucessória de bens é passada aos homens, ou seja, após a morte do seu pai todos os bens vão para um primo. A maior preocupação da matriarca é então casar suas filhas. Por isso, quando um homem solteiro e de posses vai morar em Netherfield a Sra. Bennet faz de tudo para que ele escolha uma de suas meninas. Jane Bennet a mais velha, e considerada a mais bonita de todas, parece ter a predileção do rapaz, o que deixa sua mãe eufórica. Porém se Bingley e Jane parecem se entender muito bem, não acontece o mesmo com Darcy, amigo de Bingley, e Elizabeth, já que Darcy acaba desdenhado da companhia de Lizzie no baile em que se conhecem, o que a faz sentir uma antipatia imediata pelo sisudo rapaz.

Irmãs Bennet da série de 1995

Catalogado como um romance de costumes, a obra retrata a vida inglesa do século XVIII através dos olhos de Lizzie Bennet, que se considera uma ótima avaliadora de caráter. Apesar de querer casar e entender os motivos que levam a sua mãe a estar tão empenhada nessa missão, Lizzie possui um lado sonhador e não muito pragmático que procura o amor em um casamento, algo que não era muito comum na época, pelo menos não era um motivo levado muito em conta para acontecer o desenlace.

Lizzie é apaixonada pela sua irmã mais velha, enxerga uma bondade e uma doçura que não merecem repreensão e zela pelo seu bem estar de uma forma muito mais intensa do que pelo resto da família, a proximidade de idade entre as duas também colabora e são confidentes uma da outra. Logo, é através desse laço que acompanhamos a desilusão de Jane, que vê o objeto de seu afeto se afastar abruptamente e tem as esperanças de uma casamento amoroso estraçalhadas.

Lizzie e Jane no filme de 2005

Eu também poderia perguntar – replicou ela – por que, com um desejo tão tão evidente de me ofender e insultar, você me disse que gostava de mim contra a vontade, contra a razão e até contra o seu caráter?

Gosto intensamente da Lizzie, com suas qualidades e defeitos, ela mostra uma perspicácia, um amor para com sua família e uma resolução em enfrentar o mundo que é admirável, mesmo se mostrando um pouco intolerante com as escolhas alheias. Quando ela julga sua amiga por um casamento pragmático e diz que se sente decepcionada com ela, também é uma forma de demonstrar que nem tudo são flores. Afinal essa é a ironia, apesar da frase de abertura que todo homem solteiro e rico precisa de uma esposa, a verdade é oposta, quem precisava do casamento eram as mulheres. Ao não se casarem se tornavam fardos para seus pais e irmãos e párias na sociedade, o casamento para mulher garantia não só uma posição social como seu sustento, por isso a ironia, não eram os homens que precisavam se casar e sim as mulheres. E quando Lizzie julga sua amiga por escolher racionalmente se casar, com um homem que para Lizzie é incapaz de fazer alguém feliz, ela acaba se colocando em uma posição presunçosa, como se estivesse acima da amiga por jamais aceitar um casamento assim, e isso faz da personagem mais humana, mais próxima do leitor.

A família Bennet é no mínimo excêntrica, todas as irmãs já frequentam a sociedade, foram criadas sem tutora ou algum tipo de educação formal e portanto tiveram tempo e liberdade para aprender o que quisessem. A matriarca Bennet é uma mistura de inconveniência e falta de decoro social, que acaba causando alguns momentos de intensa vergonha alheia. Já o patriarca tem um senso de humor incomum e também não se encaixa muito nos padrões sociais que eram esperados na época. Todos esses fatores eram levados em consideração para um pedido de casamento e a falta de um dote substancial para as meninas destacava ainda mais as falhas familiares, dentro daquele contexto.

Darcy e Lizzie no filme de 2005

Após o primeiro encontro desastroso entre Lizzie e Darcy, eles acabam travando uma tímida convivência, principalmente devido a proximidade de Bingley e Jane. E durante essa convivência Lizzie julgará Darcy em toda oportunidade que tiver e pensará que sua proximidade é motivada pelo desejo de troçar dela e de sua família. Já Darcy começará achar a moça cada vez mais encantadora e se apaixonará, mesmo sabendo que não é uma união desejável para sua família. Então em meio ao Orgulho e Preconceito dos dois protagonistas nascerá uma das histórias de amor mais lida, amada e conhecida da literatura.

História que já foi amplamente adaptada para filmes, séries e web séries. Por parte de séries temos duas adaptações da BBC, uma de 1980 e outra de 1995, essa com Colin Firth como Mr. Darcy, que anos depois viveria mais um Darcy no cinema, o de O Diário de Bridget Jones, que é um livro, e portanto um filme, inspirado em Orgulho e Preconceito. De filmes temos a adaptação de 1940 e a de 2005 , com a Keira Knightley como Lizzie Bennet, e é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. Ainda temos a web série The Lizzie Bennet Diaries que é divertida, atual e uma releitura interessante da obra clássica, nesse caso Lizzie cursa jornalismo, e acho que a profissão encaixa assustadoramente com a perosnagem. Ainda temos livros, séries e filmes que são derivados da obra tradicional, como o próprio O Diário de Bridget Jones e muitos outros.

Lizzie Bennet na Web Série

Uma curiosidade sobre o livro é que em sua primeira versão ele se chamaria Primeiras Impressões, que também faria sentido dentro da história, mas foi alterado posteriormente para Orgulho e Preconceito. Publicado em 1813 o livro fez sucesso e teve uma segunda edição publicada, que foi quando a autora assinou o livro como seu, desde então a obra ocupa um lugar nas estantes dos leitores do mundo todo.

Se você quer agradecer-me – replicou ele -, faça-o só em seu próprio nome. Não nego que o desejo de fazer você feliz me deu mais força às outras considerações que me levaram a agir. Mas a sua família nada me deve. Por mais que os respeite, creio só ter pensado em você.

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