Minutos de Terror em Penny Dreadful

Na Londres Vitoriana conhecemos Vanessa Ives (Eva Green) uma médium que está em busca de redenção e que precisa a todo momento lutar por sua alma. Em seu caminho aparecerão personagens já conhecidos e clássicos como Dr. Frankenstein (Harry Treadaway) e sua Criatura (Rory Kinnear), Dorian Gray (Reeve Carney), Mina Murray (Olivia Llewellyn), Drácula, Lobisomens e outras figuras que já povoam o imaginário há algum tempo. O nome da série é inspirada nas publicações de terror e ficção do século 19 que eram chamadas de Penny Dreadfuls, em tradução livre: Centavos de Terror, e eram vendidas por um centavo.

A série contabiliza 27 episódios divididos em três temporadas que são sempre concentradas em Vanessa, mesmo que os outros personagens sigam linhas de narrativa diferentes, é sempre o compasso da protagonista que determina o ritmo e o aprofundamento dos assuntos na série, e isso tem pontos positivos e negativos, o positivo é que a querida Srta. Ives é uma das melhores personagens que já tive a oportunidade de acompanhar e é premiada com a atuação impecável da Eva Green. Os negativos é que as outras histórias parecem ter sido contadas pela metade, como se tivesse faltado folego e tempo para os autores, além de planejamento.

Na primeira temporada nossos protagonistas estão em busca de Mina Murray. Vanessa Ives e Sir. Malcom Murray (Timothy Dalton) tentam encontrar a amiga/filha que perderam e carregam consigo uma grande carga de culpa pelo acontecido. Nessa jornada eles encontram Ethan Chandler (Josh Hartnett), que é um exímio atirador,  Dr. Frankenstein, Ferdinand Lylee (Simon Russell Beale), que é um egiptólogo, e outros amigos dispostos a ajudar.

 

Na segunda temporada já percebemos as nuances da Vanessa, sua fé intensa versus a sedução do mal, acompanhamos melhor o seu passado e como ela suportou suas tentações. Enquanto isso outros personagens vão crescendo e se encaminhando para sua própria história, revoluções, mortes, erros, arrependimento, essa é uma temporada para liberar as amarras.

Por fim, na terceira temporada encontramos a batalha final da Srta. Ives com o mal e como isso afeta todos que estão ao seu redor. É a temporada menos coesa de toda série, pois ela alterna altos e baixos e tenta finalizar a história de todo mundo em pouco tempo, deixando a impressão que a narrativa foi comprimida e mal contada.

 

Eu nunca encontrei um homem que não quisesse me foder ou me bater- Justine

Alguns personagens tinham um imenso potencial de contar histórias, Lily é uma delas com sua revolução feminista, ela tinha passado todo uma vida sofrendo abusos por parte dos homens, seus discursos e seu ódio era palpável, porém foi conduzido de forma forçada e terminado bruscamente. Dorian foi perdendo peso narrativo a cada temporada, alguns personagens só passearam em cena e acrescentaram muito pouco, apenas a referência literária. Isso me fez pensar que apesar do criador da série afirmar que planejou a série para três temporadas, principalmente quando o anúncio do fim pegou todo mundo de surpresa, ele não estava falando a verdade, pois o mesmos elementos que existem nas três temporadas poderiam ser melhor aproveitados se tivessem sido idealizados desde o começo.

Mesmo com a crítica acima e achando que o resultado final poderia ter sido melhor, essa ainda é uma das melhores séries que assisti, principalmente pela Vanessa Ives, sua história está bem contada e seu final é fechado, se nada mais valer a pena, ela vale, assim como a Criatura, que além de roubar a cena, mostrou o que já desconfiávamos e provou que não existe monstro pior que o ser humano, seu arco narrativo também é forte e impactante.

A história vai continuar em HQ e acho uma ótima forma de fechar todos os ciclos, porém para quem não curte esse tipo de mídia, não tem problema, o final da série é fechado em sua história principal e por ele basta. Penny Dreadful é cheio de poesia, literatura, filosofia, religião e terror. É uma série que merece uma chance para te fazer se apaixonar.

 

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