Death Note 2017

Death Note é uma das histórias mais engenhosas que acompanhei, a obra original escrita por Tsugumi Ohba e ilustrada por Takeshi Obata com volumes publicados entre 2003 e 2006 ganhou um anime em 2006 e desde então o considero um dos animes mais geniais que já assisti, mesmo tendo um final fraco. A obra possui várias adaptações na TV japonesa e recentemente ganhou uma versão em filme da Netflix. A obra original se inspira na mitologia japonesa do Shinigami, ou deus da morte, que influencia e detém poder sobre as vidas humanas. Death Note não é único mangá/anime que usa essa temática, Bleach também faz isso, e é interessante perceber como as interpretações dos Shinigamis são diferentes.

Dado esse pequeno background do que é a obra, vamos ao filme recentemente lançado na Netflix. Light (Nat Wolff) é um adolescente deslocado e inteligente que acaba encontrando na escola um caderno intitulado Death Note, o caderno possui algumas regras. A primeira delas afirma que se o portador escrever o nome de alguém tendo o rosto da pessoa em mente, essa pessoa morre. Enquanto folheia o caderno uma figura que parece um demônio aparece e o desafia a testar o caderno, Light resolve testar colocando o nome do valentão da escola e presencia de camarote a morte do garoto. A criatura que se apresenta como Ryuk (Willem Dafoe) o alerta que caso ele não queira o caderno basta não usá-lo por sete dias e será encontrado um novo portador.

Light encontra em Mia (Sarah Margaret Qualley) uma parceira para colocar seu plano em ação, matar criminosos que foram sentenciados à morte ou que escaparam da justiça, assim como o culpado pela morte da sua mãe, que está em liberdade. Motivado por um senso de justiça deturpado, Light se autonomeia Kira e assume os assassinatos sob esse pseudônimo. Nesse cenário surge L (Lakeith Stanfield) um consultor do FBI que se propõe a caçar Kira.

O filme abusa de tons escuros e de mortes mirabolantes, mas o impacto é bem pequeno. Os diálogos adolescentes e comicamente filosóficos não tornam relevantes as motivações do casal, as mortes retratadas rápidas e com excesso de sangue se tornam quase uma paródia de tão extravagantes que são. A narrativa não explica as motivações do Ryuk e não se dá ao trabalho de desenvolver questões morais e éticas dos personagens e nem de apresentá-los de forma dúbia, são completamente sem sal. Apesar de L desconfiar de Light e interrogá-lo falando sobre a metáfora do xadrez, nenhum dos personagens conseguiu fazer jus a um movimento de xadrez. Teve uma cena no fim do filme que demonstra que o jogo pode estar só começando, porém já era tarde demais para angariar simpatia ou mesmo torcida para uma possível sequência.

A verdade é que mesmo que esse filme não fosse baseado em outra obra ele já seria ruim, mas conhecer a obra original e ver o filme o torna bem pior. No anime, Light é o melhor estudante do Japão, extremamente racional e prático, enquanto L coleciona casos de sucesso como consultor da polícia e é um gênio. Acompanhar a batalha lógica-racional entre os dois está entre uma das melhores coisas do anime. Outro ponto alto é a discussão ética sobre os atos de Kira e a população que apoia essas realizações, ao mesmo tempo que a polícia tenta mostrar que ao ser encurralado Kira é mais um criminoso como os outros, não faz distinção de inocência para manter seu pescoço a salvo. O filme só resvala nessas questões, contudo não desenvolve nada e deixa apenas um monte de pequenas discussões ao longo de 101 minutos de duração.

A melhor coisa do filme é o Dafoe como Ryuk, que consegue ser irritante e sádico e torna real a figura do Shinigami, pena que ele aparece pouco no filme. Definitivamente a Netflix errou bem a mão nesse filme, porém ela também tem no seu catálogo o anime Death Note que é altamente recomendado, por isso se você se interessou pela história não deixe de dar uma conferida no anime.

Vocês, humanos, são muito interessantes.

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