Justin Timberlake é o ‘Man Of The Woods’

O astro pop Justin Timberlake está de volta. Desde 2013 sem lançar um álbum inédito, o cantor quebrou o hiato este mês ao por Man Of The Woods pro jogo. Este é o quinto álbum de JT e sucede o arrasa quarteirão The 20/20 ExperienceMan Of The Woods chegou com muita desconfiança por parte dos fãs e dos haters do cantor, já que os materiais de divulgação indicavam uma sonoridade country, descartada após o lançamento do primeiro single, Filthy. O álbum conta com 16 músicas e marca mais uma vez a parceria de JT com Timbaland e Pharrell Williams, compositores e produtores desde a época do primeiro disco, Justified (2002).

1. Filthy: o abre alas do disco é o primeiro single, Filthy. Provavelmente a música mais diferente de tudo o que Justin Timberlake já fez na carreira. A sonoridade à lá Bionic da Christina Aguilera é toda carregada de batidas eletrônicas e vocais recheados de auto-tune. A letra traz basicamente tudo o que Justin sempre cantou: muita sexualidade. Filthy é a faixa que mais destoa das demais em Man Of The Woods, particularmente gosto da canção, mas é inegável que a música é pouco comercial e digerível. O videoclipe é sensacional.

2. Midnight Summer Jam: se Filthy é pouco digerível, o mesmo não pode ser dito de Midnight Summer Jam, que parece ser alguma faixa perdida do The 20/20 Experience. O R&B e o funk (não o funk que conhecemos) é explorado na canção, que ganha toques de flauta e Justin explora seus vocais finos. Pharrell Williams ainda faz vocais de apoio na faixa. É uma boa música, mas não tem potencial para ser trabalhada como single, por exemplo.

3. Sauce: em Sauce, Justin traz um pop gostosinho. Com rifes de guitarra e um ritmo agradável, a canção traz aquela sensação boa, de querer dançar e seguir o ritmo. Nesse sentido, a faixa lembra um pouquinho (pouco mesmo) do saudoso FutureSex/LoveSounds (2006).

4. Man Of The Woods: canção que carrega o nome do álbum, Man Of The Woods é praticamente um acústico. A música é toda focada em vocais e estalar de dedos. A voz de Justin está mais limpa que as três primeiras faixas que abriram o disco. JT canta I brag about you to anyone outside, but I’m a man of the woods, it’s my pride (“Eu me gabo de você para todos lá fora, mas sou um homem da floresta, é meu orgulho), representando um pouco de suas origens – ele é de Memphis, Tennessee. No videoclipe, Justin dança com a esposa, Jessica Biel.

5. Higher, Higher: mais guitarras em Higher, Higher e agora sim temos uma sonoridade muito mais próxima ao FutureSex/LoveSounds. A progressão da canção em seus 4:20 de duração é muito boa. Música muito boa, principalmente em níveis vocais – Justin arrasa em determinados momentos da faixa.

6. Wave: a sexta canção de Man Of The Woods traz mais R&B. Os versos da canção são ótimos, mas o refrão é muito repetitivo e chato. É mais uma daquelas canções que os artistas colocam no disco pra completar tracklist.

7. Supplies: agora vem o hino. Supplies é de longe uma das melhores músicas do álbum. Traz um Justin Timberlake entregue ao trap. O flow de JT é muito bom nos versos de rap. A batida, produzida pelo The Neptunes (dupla de produtores formada por Pharrell Williams and Chad Hugo, que produziram mais de 60% das canções do disco), é daquelas contagiantes, que te faz dançar e ser possuído pelo rapper que habita dentro de você. É um dos maiores trunfos de JT no disco.

8. Morning Light feat. Alicia Keys: o primeiro ‘feat’ do álbum é com a diva do R&B, Alicia Keys. Morning Light é aquela música gostosinha, perfeita pra ouvir com o crush/namorado(a)/marido(a). É uma música muito sensual e perfeita pra hora H. Alicia Keys canta muito pouco na canção. Ok, ela é o ‘feat’ em questão, mas uma cantora do hype dela poderia ter uma participação maior. A composição fica por conta de JT, Robin Tadross, Eric Hudson, Ives e o cantor country Chris Stapleton.

9. Say Something feat. Chris Stapleton: se Alicia cantou pouco em Morning Light, Chris Stapleton (que venceu três Grammy Awards neste ano) canta muito em Say Something. Aqui temos o que chamamos de “dueto do caralho”. O country que alguns fãs receavam aparece aqui por motivos óbvios. Os melhores vocais de Justin dentro do álbum surgem nessa faixa. A voz suave do cantor com os graves de Chris Stapleton fazem de Say Something a melhor música do disco e uma forte candidata a indicação ao Grammy.

10. Hers (Interlude): esse interlude é todo narrado por Jessica Biel. Ela fala sobre como se sente ao amar (ele), de guardar segredos, de se sentir mulher, se sentir sexy, se sentir dele.

11. Flannelessa baladinha que mistura elementos country e de R&B também é uma das boas canções do disco. Cantada quase à capela, Flannel mostra um Justin Timberlake vulnerável, contando uma bela história de amor ao seu ouvinte. Jessica Biel também discursa na parte final da canção.

12. Montana: o R&B clássico é a base para Montana. A música é tão característica desse estilo musical que poderia ser facilmente associada a cantores próprios do gênero, como Miguel, Usher, Chris Brown e Bruno Mars. Novamente os vocais de Justin estão perfeitos. Montana é aquela música ótima pra relaxar.

13. Breeze Off the Pondo funk aparece novamente em Breeze Off the Pond. A música à lá Os Embalos de Sábado à Noite parece até ser uma produção do guitarrista Nile Rodgers. Gosto bastante do estilo e da personalidade dessa faixa, que se encaixa dentro do conceito “homem da floresta”.

14. Livin’ Off the Landmais conceito. Livin’ Off the Land fala de um homem que luta e trabalha diariamente para sustentar a família, pagar contas e que faz de tudo para vencer na vida. Em nível de composição, é uma das melhores músicas do disco. Esta faixa soa como uma oração de súplica, muito em função da interpretação de Justin.

15. The Hard Stuffas “orações” de Justin continuam na mediana The Hard Stuff. A letra é muito boa, mas é uma canção comum. Com uma produção típica para músicas do tipo. Não se diferencia muito do que encontramos em trabalhos de outros artistas.

16. Young Manpara fechar o disco, JT faz o que 90% dos artistas fazem quando se tornam pais: colocam seus filhos pra falarem/cantarem em uma música ou falam deles em uma. Young Man é isso. Justin faz uma declaração de amor ao seu filho, Silas Timberlake. O pequeno de dois anos ainda fala na faixa, assim como a mamãe Jessica Biel. É uma música excelente para encerrar o disco.

O quinto disco de Justin Timberlake tinha tudo pra ser um dos melhores da discografia do cantor de 37 anos, mas infelizmente isso não acontece. Man Of The Woods é uma grande salada mista, recheada de diversos gêneros musicais, o que mostra a versatilidade de JT em cantar qualquer tipo de música, ao mesmo tempo que demonstra um certo “atirar para todos os lados”. O conceito “homem do campo x homem da cidade” funciona em poucas faixas.

O pop, gênero que fez Justin por muitos anos ser considerado o “novo Michael Jackson”, já não aparece com tanta força. As “farofas” maravilhosas que ouvimos em FutureSex/LoveSounds já não existem aqui. O R&B de respeito do The 20/20 Experience aparece muito timidamente. Timbaland e Pharrell Williams, que por anos foram os melhores produtores que o mercado já teve, hoje não são unanimidade. Man Of The Woods passa a sensação de um Justin que ficou parado no tempo, que não conseguiu se reinventar e que trouxe mais do mesmo. A mensagem de um JT maduro é dada e recebida com sucesso, ao passo que conseguimos ter boas músicas como SuppliesSay Something Livin’ Off the Land, mas fica nisso.

Man Of The Woods é o álbum mais fraco da discografia de Justin. É ruim? Não, de forma alguma, porém não reflete ou alcança a qualidade dos discos anteriores. Em sua apresentação no Super Bowl LII, Justin mostrou o que é: um artista completo, que canta, dança, toca e esbanja um carisma ímpar. Ele cantou todos os seus grandes sucessos, mas faltou aquele ‘algo a mais’ que a gente sempre espera de um grande artista como ele. O show de Justin no Super Bowl é espelho para a definição de Man Of The Woods: morno.

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