A ‘Louva-a-deus’ e a morte como desforra

Damien Carrot (Fred Testot) é um policial que está infiltrado pela Narcóticos em uma gangue local quando vê sua operação desmoronar com a prisão do bando. Dominique Feracci (Pascal Demolon) o chefe de polícia leva Damien para uma sala e explica o porquê de ter atrapalhado a sua operação, há um novo serial killer em Paris, um copiador da serial killer que ficou conhecida como A Louva-a-deus, presa há 25 anos, e que é a mãe de Damien. Nem todo mundo sabe a identidade da mulher que aterrorizou Paris, matando homens com índole duvidosa, Dominique que foi um dos policiais que efetuou a sua prisão, conhece a sua história e sabe que a condição que Jeanne Deber (Carole Bouquet) impôs para confessar seus crimes foi que sua identidade jamais fosse conhecida, que seu sobrenome fosse alterado e que seu filho jamais tivesse que pagar por seus crimes.

Com essa premissa apresentada, Dominique expõe a situação para Damien. O copiador está na terceira vítima e até então as mortes seguem rigorosamente idênticas as cometidas por Jeanne, a única diferença encontrada é que os homens que estão sendo mortos não possuem nenhum desabonador de caráter. Colocado como chefe da operação em detrimento de outros policiais que já estavam nessa operação, Damien lida com a desconfiança dos colegas e o terrível segredo de sua filiação que pode vir a tona a qualquer momento. Jeanne se diz disposta a ajudar a polícia a prender o criminoso, desde que seu contato seja com o filho, que não vê desde a sua prisão.

A narrativa envolve segredos dentro de segredos a série tem uma abordagem psicológica dos personagens e as situações nunca são fáceis de decifrar. A família de Damien é composta por seu avô materno, Charles Carrot (Jacques Weber), sua noiva Lucie (Manon Azem) e a filha dela, Ninon (Cassiopée Mayance). Conforme o policial se aproxima da sua mãe novamente, velhos sentimentos são trazidos a superfície, como a desconfiança em si mesmo, episódios de explosão de raiva e a negação completa de ter filhos pelo medo de passar seus genes adiante. Ele nunca tentou entender o motivo dos crimes da mãe, apenas a culpa por tê-lo abandonado e sido presa. Essas questões vão sendo trabalhadas a medida que os episódios vão passando. Mesmo sendo curta, com apenas seis episódios de 55 minutos cada, a história se desenvolve de forma lenta e com cuidado, encaixando as peças de forma precisa.

Sou fã de thrillers psicológicos e a construção de Jeanne Deber é espetacular, a forma dúbia como ela se comporta, seu carinho pelo filho em conjunto com a frieza e crueldade para com suas vítimas é de uma complexidade surpreendente para tramas assim. É muito fácil classificar o serial killer como um lunático e nada mais, as complexidades e idiossincrasias humanas sempre ficam por conta dos policiais nesses enredos, e nesse caso até mesmo os suspeitos são considerados em sua multiplicidade de pensamentos e ações. É muito fácil cair na velho maquineísmo do bem contra o mal nessas narrativas e por isso o elogio à essa série e a personagem. Jeanne Deber é uma assassina calculista e extremamente racional, que merece cumprir pena na prisão, independente dos motivos que a levaram a matar homens, mas também é uma mãe amorosa que se preocupa com a felicidade e o futuro do filho. Disponível integralmente na Netflix, essa série francesa vale a sua atenção.

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