Marvel’s Luke Cage: 2ª Temporada

Mesmo com uma primeira temporada fraca, a Netflix não desistiu de Luke Cage, outra série do serviço de streaming baseada em um personagem urbano da Marvel. Nessa segunda temporada, Luke (Mike Colter) virou uma celebridade do Harlem após ter limpado sua ficha. Com uma reputação a ser zelada, Luke agora precisa proteger seu bairro de um novo inimigo e um antigo inimigo, que podem causar uma verdadeira guerra de facções. A série se passa exatamente após os acontecimentos de Os Defensores (2017), mas com pouquíssimas ligações diretas. O essencial aqui é você ter visto a primeira temporada da série do herói.

Assim como na primeira temporada, Luke Cage começa de forma “arrastada” e lenta, ficando realmente instigante do terceiro episódio em diante. Um dos pontos mais fortes dessa temporada é sem dúvida o desenvolvimento de personagens, principalmente os vilões. John “Bushmaster” McIver (Mustafa Shakir), Mariah Dillard/Stokes (Alfre Woodard) e Hernan “Shades” Alvarez (Theo Rossi) têm suas histórias muito bem trabalhadas, carregando uma carga dramática que faltou na primeira temporada com os vilões Cornell Stokes/Boca de Algodão (Mahershala Ali) e Willis Stryker/Kid Cascavel (Erik LaRay Harvey).

Bushmaster, um jamaicano que possui poderes semelhantes aos de Luke Cage graças a recursos naturais, simplesmente toca o terror durante toda a série. Ele representa realmente uma ameaça ao herói e a hegemonia de Mariah no Harlem. Bushmaster é tão icônico que julgo dizer que é um dos melhores vilões já apresentados pela Marvel no universo das séries, ao lado do ainda insuperável Kilgrave de Jessica Jones (leia nossa crítica da 2ª temporada) e o Rei do Crime de Demolidor. Toda a história de ódio, rancor e vingança de Bushmaster contra a família Stokes é detalhadamente contada pelos treze episódios. Você se pega em determinados momentos até torcendo pelo vilão.

Mariah, que tivemos um aperitivo como vilã na primeira temporada, ganha ainda mais destaque e se consolida como uma das personagens mais odiadas da série. Todos os traumas de seu passado que estão por trás de suas ações atuais vêm à tona. Alfre Woodard dá um show de atuação. O mesmo ocorre com Shades, que surpreende por mostrar um lado que não tínhamos visto na primeira temporada. Já no núcleo dos mocinhos, Mercedes “Misty” Knight (Simone Missick) ainda sofre para se adaptar após os eventos de Os Defensores, mas consegue encontrar a si mesma em meio a todas as adversidades que surgem. Já Luke Cage mostra-se inseguro, travando uma luta interna entre ser o herói que o Harlem quer ou o herói que o Harlem precisa. O final dessa batalha interna é surpreendente. Além disso, Luke precisa lidar com as diferenças e ressentimentos com seu pai. Reg E. Cathey, que interpretou o pai de Luke ainda é homenageado no final da série. Ele morreu em fevereiro deste ano aos 59 anos.

Mais do que herói contra vilão, o que temos de mais interessante nessa temporada é a briga entre gangsters. Em um estilo à lá Gangues de Nova York (2002), a briga pelo poder e controle de uma região importante como é o Harlem é o que mais cativa na série. Toda a dinâmica das gangues que dominam bairros de Nova York com venda de drogas, armas ou outros mecanismos que alimentam a máquina do poder, é simplesmente fantástica. No início temos apenas os jamaicanos contra os negros, mas no decorrer temos uma confusão com italianos, chineses, coreanos e cubanos nessa briga de interesses.

Bushmaster traz consigo uma crítica social forte envolvendo classes sociais e até escravidão. A questão da xenofobia não chega a ser debatida, mas é possível identificá-la em determinados momentos. Fora isso, a cultura negra é ainda melhor explorada nessa temporada. A música se faz presente em todos os episódios, muito por conta do Harlem’s Paradise, que é muito representativo no que diz respeito ao poder. Quem controla Harlem’s Paradise basicamente está no topo da montanha, é o rei/rainha do Harlem. A trilha sonora – que flerta com o blues, o reggae e o rap (estilos da cultura negra) – não só funciona muito bem, como é peça essencial para definir o tom de cada episódio. Artistas como Gary Clark Jr., Esperanza Spalding, Faith Evans, Jadakiss e Stephen Marley participam da série. A diversidade também está presente na direção dos 13 episódios, que traz mulheres e homens de diferentes nacionalidades e origens, como é o caso da atriz Lucy Liu que dirige o primeiro episódio e Salli Richardson-Whitfield que comanda o quarto episódio.

A segunda temporada de Luke Cage supera fácil a esquecível e fraca primeira temporada, reforça elementos de cunho social e se preocupa com o desenvolvimento de todos os seus personagens. Mantém um ritmo que não entendia como na primeira temporada. Nos entrega boas cenas de luta, principalmente as que envolvem o herói e Bushmaster; além de reservar diversas e gratas surpresas da metade para o final da temporada.

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