‘Queen’: o álbum mais maduro de Nicki Minaj

Após muitos adiamentos e muita paciência dos fãs, Nicki Minaj finalmente debutou seu quarto álbum de estúdio. A rapper que não lançava um material solo desde The Pinkprint (2014). Com o título de Queen, o novo disco de Nicki traz impressionantes 19 músicas e parcerias de peso como Ariana Grande, Eminem, Lil Wayne, The Weenkd e Future, além de resgatar produtores como Boi-1da (fez Work da Rihanna e músicas do Drake), J Beatzz e Mike Will Made It (responsável por Formation da Beyoncé, Humble do Kendrick Lamar, entre outras), que trabalharam em álbuns anteriores de Nicki.

Nicki abre o Queen com Ganja Burn, provavelmente a faixa mais “pop” que encontraremos no álbum. Com batidas tipicamente africanas, a faixa, assim como o videoclipe, fala sobre uma rainha que conseguiu voltar ao seu trono após tentarem destroná-la. É como se Nicki dissesse “olha, estive sem lançar nada, mas agora voltei e quero minha coroa de volta”. As músicas que se seguem trazem verdadeiramente o que é o Queen, um puta disco de hip-hop. Majesty traz o britânico Labrinth (que atualmente integra o grupo LSD, formado ainda por Sia e Diplo) que canta o refrão da canção e o rapper Eminem, que dá um show de rimas feitas na velocidade da luz. É uma faixa e tanto e Nicki manda muito bem. Ela manda ainda melhor em Barbie Dreams, música que contém sample e referência direta a Just Playing (Dreams) do saudoso The Notorious B.I.G. Em Just Playing (Dreams), o rapper morto em 1997 fala em sua atração por divas do R&B da época, como Tony Braxton, TLC e Mariah Carey. Em Barbie Dreams, Nicki usa do mesmo recurso para falar de suas fantasias com rappers como Fetty Wap, Drake, Desiigner e DJ Khaled. Com boas rimas, Nicki ainda faz um freestyle de respeito, assim como faz em Hard White LLC.

Nicki ostenta em Rich Sexparceria com seu padrinho musical, Lil Wayne e em Sir, com seu parceiro de turnê Future. Mas as parcerias que realmente se destacam no disco, além da ótima Majesty com Eminem e Labrinth, sem dúvida alguma é Bed com Ariana Grande (leia a crítica do Sweetener) e Thought I Knew You com o The Weeknd. Bed é sexy, é R&B puro e da melhor qualidade. Os vocais suaves de Ariana são os destaques da canção. Em Thought I Knew You, Nicki faz praticamente um dueto com The Weeknd, no qual os vocais se encaixam perfeitamente. A batida é deleite à parte. Nicki ainda entrega a intimista Run & Hide, que fala de desconfianças em relacionamentos, e segue com a ótima Chun Swae, que traz participação do cantor Swae Lee, que traz uma vibe “pesada” com seus vocais arrastados e calmos.

Uma das faixas mais legais do álbum é o single Chun-Li. Com ótimas batidas mescladas a um toque japonês, Nicki faz referências a Chun-Li, personagem do jogo Street Fighter que busca vingança pela morte de seu pai. Nicki põe em pauta novamente sua coroa de Rainha do Rap ao dizer que é uma primeiras rappers femininas a dominar o rap, e que consegue se manter pé mesmo com todos os esforços para derrubá-la. Após Chun-Li, o álbum perde a força com faixas como Good FormNip Tuck e 2 Lit 2 Late Interlude. Ela ainda deixa as rimas de lado e canta a baladinha Come See About Me. Encerrando o disco, temos Miami, que cita uma Gretchen (a nossa Gretchen ou a personagem de Meninas Malvadas?! Fica aí o questionamento); e a ótima Coco Chanel, que fala da famosa estilista e ainda traz participação da rapper Foxy Brown. Inspirations Outro é uma faixa “emendada” de Coco Chanel. Na versão digital do Queen, Nicki fecha o disco com um bônus: o single FEFEmúsica do rapper 6ix9ine e que tem participação da artista.

Nessa conta de 19 faixas, Nicki ainda deixou músicas como Changed It, Barbie Tingz e a ótima No Frauds de fora. Mas o saldo final de Queen é positivo. Nicki Minaj voltou muito mais rapper, flertando pouco com o pop como ocorreu em seus primeiros álbuns. Esse hip-hop massivo e com menos pop do Queen se justifica pelo bom momento em que o estilo vive nos charts, principalmente nos Estados Unidos. Nos últimos três anos, o gênero domina as paradas de sucesso com nomes como Drake, Post Malone, Migos, Kendrick Lamar, entre outros.

Queen também chega para tirar Nicki de sua zona de conforto. Até então, a rapper era a única e principal representante feminina do gênero, que teve no passado nomes fortes como Missy Elliott, Lil Kim e Lauryn Hill. Nicki viu pelo retrovisor nomes como Iggy Azalea e, mais recentemente, Cardi B surgindo como fortes nomes do hip-hop, além de outras artistas como Azealia Banks e Remy Ma. O Queen sai do desafio de Nicki em provar para todos e para si mesma de que ainda manda muito bem nas rimas, no freestyle e ainda detém a coroa de Rainha do Rap, além de continuar com seu legado como uma das principais rappers da indústria fonográfica. Consistente, com boas letras e excelentes participações, o resultado do novo trabalho de Nicki é o seu melhor e mais maduro álbum da carreira até aqui.

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