Pabllo Vittar explora toda sua brasilidade em ‘Não Para Não’

Após estourar com seu álbum de estreia, Vai Passar Mal (2017), a drag queen Pabllo Vittar está de volta com seu novo trabalho. Não Para Não marca o início do contrato da artista com a Sony Music Brasil. Com 10 faixas, o disco traz novamente o time de colaboradores do Vai Passar Malcomo Rodrigo Gorky, Maffalda e Pablo Bispo (responsável pelo Dona de Mim, primeiro álbum da Iza). Filip Nikolic, Arthur Marques e Zebu são os novos compositores.

Buzina abre o álbum. A faixa começa com uma intro, na qual Pabllo deseja uma “boa viagem” ao ouvinte. A canção dita bem o que ouviremos nas músicas seguintes: muita brasilidade. A faixa traz um axé que beira o brega, mas que não deixa de ser pop. Possui um break bem “bate cabelo” no final, assim como ocorre em Problema Seu, primeiro single do disco. Problema Seu é aquela música que soa estranha ao ouvir pela primeira vez, mas que vicia conforme você escuta. Além dos compositores já citados, a canção ainda conta com Noize Men e a cantora Alice Caymmi, que já tem uma parceria com Pabllo em Eu Te Avisei, nos créditos.

O axé ainda aparece em Trago Seu Amor de Volta, música que traz a melhor parceria do álbum, o pagodeiro Dilsinho. O dueto entre os artistas é uma música que a diva Ivete Sangalo gravaria facilmente como single. É animada, cheia de energia e com ótima letra. Mas o axé não é o ritmo mais explorado em Não Para Não. O forró/arrocha domina boa parte da tracklist, começando por Seu Crime. Com vocais poderosos, Seu Crime coloca Pabllo no meio de um forró dos bons, que nos faz lembrar de bandas icônicas do gênero como Calcinha Preta, Aviões do Forró e Calypso. A letra é de longe uma das melhores – fala sobre largar mão de sentimentos e amores passados – e além disso, a canção marca novamente a parceria entre Pabllo e o DJ Diplo. Diplo trabalhou com a drag em Então Vai e posteriormente em Sua Cara, sucesso do grupo do produtor com Anitta.

O arrocha continua em Disk Me, segundo single do álbum. A música é a K.O. do álbum, se podemos dizer. A canção é um arrocha maravilhoso, com uma letra sofrência que faria inveja até para Marília Mendonça. É daquelas músicas para cantar em uma mesa de bar com os amigos sofrendo pelo crush. Os vocais de Pabllo estão ótimos também e a letra é chiclete. A sanfona e os teclados aparecem também em Não Vou Deitar, um forró moderninho com refrão pegajoso que Pabllo coloca pra jogo.

Em Ouro, Pabllo dá espaço para um reggae que logo no início lembra Man Down da Rihanna. A canção ainda conta com participação de Urias, cantora transexual, amiga e assessora pessoal da drag. Vai Embora é a terceira e última colaboração do álbum. Com participação da Ludmilla, a faixa traz uma mistura de estilos musicais. Começa com um arrocha, vai para uma espécie de trap e termina em um funk de 150 BPM (batidas por minuto), que tem feito sucesso com nomes como Nego do Borel, Valesca Popozuda e a própria Ludmilla.

Com No Hablo Español além de misturar português com espanhol na letra, Pabllo traz um pop latino gostoso, sensual e cheio de vida. A cantora mexicana Thalia, que ficou famosa no Brasil por novelas como Maria do Bairro, é o primeiro nome que me vem à cabeça ao escutar a música música. É a faixa com a melhor produção do disco. Miragem encerra o disco de forma redondinha. A música tem uma das letras mais viciantes do álbum e é um pop envolvente. Merece ser single.

Não Para Não é um álbum cheio de canções de superação de relacionamentos. Ele é confiante, divertido e cheio de energia. Pabllo tem uma melhora significativa nos vocais, trabalhando não somente com agudos, mas apostando em tons mais suaves como em Disk Me. A brasilidade que fez Pabllo ganhar destaque é ainda mais reforçada. O forró, o arrocha e o axé se intercalam pelas faixas. O funk, que serviu de base para boa parte do Vai Passar Mal, fica de lado em Não Para Não, aparece apenas em Vai Embora. O álbum ainda abre espaço para o reggae e o pop latino.

Não Para Não, assim como Vai Passar Mal, aposta numa mistura louca de ritmos tipicamente brasileiros. O que difere um do outro é que o segundo álbum de estúdio da Pabllo consegue ser mais maduro e conciso. As faixas conversam entre si, tanto nas letras quanto nas produções. O maior problema do disco é a duração das músicas, que não passam dos três minutos de duração. Quando você espera novos versos ou alguma evolução na produção, a música acaba. Apesar disso, tudo é muito bem amarrado. Com Não Para Não, Pabllo Vittar entrega um trabalho consistente com ritmos brasileiros mesclados a toques de música pop.

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