‘Nasce Uma Estrela’ emociona e entrega atuações dignas de Oscar

Nasce Uma Estrela (A Star Is Born) acaba de ganhar uma nova versão protagonizada por Lady Gaga e Bradley Cooper, que também dirige. Originalmente lançado em 1937, o longa teve outras duas versões antes desta (um musical de 1954 e o filme de 1976 que trazia Barbra Streisand no papel principal). Em sua quarta versão, Nasce Uma Estrela conta a história de Jackson Maine (Bradley Cooper), um cantor no auge de sua fama que precisa lidar com o vício do álcool e outras drogas. Maine conhece e se encanta com Ally (Lady Gaga), uma cantora e compositora super talentosa e insegura, que precisa apenas de uma oportunidade para fazer sucesso.

O roteiro de Eric Roth, Will Fetters e Bradley Cooper segue a linha dos longas anteriores – principalmente a versão de 1976 – mas não se prende totalmente a ele, adaptando apenas o necessário e trazendo o longa para a linguagem dos dias atuais. O roteiro não é primoroso, mas ganha notoriedade por conta das ótimas atuações de Cooper e Gaga. A narrativa de Nasce Uma Estrela (2018) é melhor desenvolvida que nos filmes anteriores, pois consegue dar maior profundidade aos personagens principais por si só e por meio dos secundários, que lapidam um pouco da história de Maine e Ally. Nesse sentido, os papéis de Andrew Dice Clay (pai de Ally), Sam Elliott (irmão mais velho de Maine) e até Anthony Ramos (amigo de Ally) se encaixam perfeitamente no contexto da trama.

E o que falar de Lady Gaga? Bom, ela basicamente arrasa e não é pouco. A cantora e atriz de 32 anos traz uma personagem muito envolvente. Ally é insegura quando se trata de mostrar os seus talentos, mas se mostra determinada, companheira e divertida a sua maneira. Gaga transmite um turbilhão de sensações com sua atuação, nos levando da emoção aos risos. A cantora passa tanta verdade por meio de Ally, que a história da ficção se confunde com a realidade. Associamos facilmente as histórias da trajetória de Ally com a da própria Lady Gaga. O bar, onde Maine encontra Ally, por exemplo, é um clube de drags. A personagem de Ally é a única mulher cis que se apresenta no local, em meio as artistas LGBTQ+ (causa amplamente defendida na carreira de Gaga). Por isso, Lady Gaga é um show à parte em Nasce Uma Estrela.

Show à parte também são as canções do longa, sobretudo as que Gaga canta. As músicas são partes essenciais do filme e criam toda a ambientação necessária para dar ainda mais força aos personagens. Shallow, que tem composição do Mark Ronson, desponta entre as melhores e favoritas à corrida ao Oscar. Always Remember Us This Way e I’ll Never Love Again são outras fortes candidatas a receber indicação ao prêmio da Academia. A trilha sonora do filme é redondinha e digna de todos os prêmios possíveis (ouça aqui).

Quem também merece aplausos é Bradley Cooper. O ator, que faz sua estreia na direção de um longa, entrega uma de suas melhores atuações na carreira. Cooper entrega ainda mais profundidade ao personagem, que já foi interpretado por Fredric March, James Mason e Kris Kristofferson. Desponta como um ótimo cantor com faixas ótimas como Black Eyes e Maybe It’s Time. Na direção, Cooper faz um trabalho muito bom também. Os cortes de cena e diálogos estão redondinhos. Merece indicações a prêmios também, seja como ator ou diretor. A química entre Cooper e Gaga é o grande trunfo do filme. O casal tem um ótimo entrosamento em tela.

Após duas versões diferentes do original de 1937, ter uma terceira versão de Nasce Uma Estrela tinha tudo para não vingar e trazer uma história batida, mas não é o que ocorre. A visão de Bradley Cooper, mesmo que respeitando partes do roteiro do original e dos demais filmes, trouxe jovialidade e adaptações modernas à história, como mostrar o quanto a indústria fonográfica pode ser cruel para conseguir lucrar em cima de algum artista – tentando lapidá-lo com uma imagem frente ao público e obrigando a realizar trabalhos que não condizem com aquilo que ele acredita. É, ao lado da versão original, um dos melhores longas que carregam o título. Nasce Uma Estrela (2018) é um drama que emociona, arrepia e aquece o coração de quem ama um bom filme musical.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s