Little Mix exalta feminismo com ‘LM5’

Dois anos após o sucesso absoluto com o álbum Glory Days, as meninas do Little Mix retornam com o seu novo trabalho, LM5. Jade Thirlwall, Leigh-Anne Pinnock, Perrie Edwards e Jesy Nelson trazem ao longo de 18 faixas todo o pode e força da maior girlband britânica da atualidade, começando com o interlude The National Manthem, que em tradução literal seria “O Hino Nacional dos Homens”. Em uma linda harmonia, elas cantam: She is a bad bitch. Made up of magic. Pray to the goddess. Don’t break your promise. Thou shall be faithful and honest. (Ela é um vadia malvada, feita de magia. Reze para a deusa. Não quebre sua promessa. Tu deverás ser leal e honesto). O interlude é uma prévia importante que dá uma ideia muito concreta do que serão as próximas faixas: um manifesto feminista.

Woman Like Me, música em parceria com a rapper Nicki Minaj e primeiro single do disco, foi escrita pela talentosíssima Jess Glynne, pelo Ed Sheeran e por Steve Mac, que já trabalhou com Demi Lovato, P!nk e Westlife. A faixa é um hino feminino, que celebra as mulheres independentes e donas de si. É um single altamente radiofônico, que lembra Side To Side da diva Ariana Grande. O videoclipe, um dos melhores da carreira do grupo, traz toda esse girl power e empoderamento da mulher.

A temática feminista vem ainda com mais força em Joan of Arc (com um título desses, impossível a canção não ser uma das mais feministas do álbum). A música faz referências à Cleópatra, Rainha de Copas e é claro, a própria Joana D’Arc. A letra é sobre amor próprio e a emancipação da mulher, que pode fazer o que ela bem entender, seguindo a linha de Woman Like Me. Além disso, tem uma das melhores produções do disco. Na versão deluxe, Woman’s World é o grande destaque, que também aborda o feminismo. Nessa, a girlband canta: “Se nunca te disseram como você tem que ser, o que você tem que vestir, como você deve falar. Se você nunca gritou pra ser ouvido, você nunca viveu num mundo feminino”. E mais: “Ela trabalha muito e recebe pouco só pelo corpo que ela tem. Isso não é insano?”. Os vocais são os grandes destaques da canção. Estão impecáveis.

Em Think About Us, as meninas falam sobre estar perdidamente apaixonada por alguém. É uma das músicas mais gostosas e com potencial de ser single. Ainda nessa linha de paixões, American Boy, traz uma das letras mais fracas do álbum e uma sonoridade batida. O mesmo acontece com Forget You Not, uma das faixas da versão deluxe, embora seja mais comercial que American Boy. Uma das baladas mais incríveis do disco sem dúvida alguma é Monster in Me. A música fala sobre duas pessoas que se amam, mas que brigam constantemente, colocando seus monstros internos para fora. É uma das músicas mais gostosas do disco.

Outra balada maravilhosa é Told You So. Produzida pelo MNEK, que já trabalhou com a Zara Larsson e o próprio Little Mix em Touch no álbum anterior e Strip neste disco, a música fala sobre confortar uma amiga após o término de um relacionamento. A vibe acústica e os vocais limpos são os principais trunfos da música. Love a Girl Right se destaca pela ótima produção. Os solos de guitarra que passam um clima latino à lá Wild Thoughts do DJ Khaled, a referência (intencional ou não) a Livin’ La Vida Loca do hit de Ricky Martin, e a letra de amizade fazem Love a Girl Right uma das grandes canções do álbum. More Than Words é outra faixa de destaque. Com produção do Timbaland e participação da cantora e compositora Kamille, que trabalha em músicas do grupo desde a era SaluteMore Than Words retrata a força e o apoio que mulheres devem ter umas com as outras. Assim como outras faixas do disco que ganharam produções visuais, o videoclipe ajuda a entender melhor a mensagem por trás da faixa.

Wasabi é aquela música direcionada aos haters do grupo, que criticam e atacam tudo o que elas fazem, seja pelas roupas que usam, o que fazem ou o que falam. A canção é sobre não absorver toda a negatividade. A letra é ótima, mas a faixa deixa a desejar na produção. Com uma pegada mais sexy, surgem duas faixas: Motivate Notice. Enquanto a primeira é super animada, a segunda é um pouco mais tranquila. Mas acabam sendo músicas descartáveis dentro de todo o contexto do álbum.

Com Strip, parceria com a rapper Sharaya J, entram as questões de aceitação do próprio corpo. As meninas cantam sobre amar e aceitar as imperfeições. O videoclipe, no qual o grupo fica completamente nu, passa a mensagem da música com maestria. Em The Cure, o Little Mix aborda o amor próprio. A música fala sobre procurar a felicidade em alguém e encontrar a si mesmo. É uma ótima canção, que ainda tem uma versão crua, apenas com vocais na versão deluxe. O disco termina com Only You, música do trio de música eletrônica Cheat Codes com participação do grupo.

Assim como nos outros álbuns, maior parte das músicas são composições do grupo com outros colaboradores. Jade Thirlwall é a integrante com mais letras no álbum – são oito no total; seguida por Leigh-Anne Pinnock (seis canções), Perrie Edwards (três) e Jesy Nelson (duas). Isso dá maior profundidade ao conceito e significado do disco e, é claro, o crescimento das quatro como artistas.

LM5 é um passo importante na carreira do Little Mix. O grupo aposta em um disco menos comercial – o que não significa que ele não seja – que o antecessor Glory Days e com um viés ideológico mais incisivo. Por si só, o Little Mix é um grupo feminista. No entanto, isso nunca havia sido transposto tão explicitamente em um álbum, o que ocorre felizmente em LM5. E o grupo o faz muito bem, obrigado. Tanto que o Little Mix tem recebido inúmeras críticas machistas pela proposta do álbum e pelo videoclipe de Strip.

Apesar de algumas faixas soltas – descartáveis – o disco tem uma qualidade, principalmente de composições, que supera em muito a discografia do Little Mix até aqui; ao passo que as produções estão em um nível aceitável. Mas o conjunto da obra, que é o LM5, é muito satisfatório. Embora ainda considere Glory Days o melhor álbum da carreira, o LM5 mostra uma evolução musical – natural para um grupo que existe há pouco mais de sete anos – tira o Little Mix da sua zona de conforto e entrega um trabalho maduro.

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