‘Capitã Marvel’ entrega história de origem na medida

Capitã Marvel já está entre nós. O primeiro filme solo de uma heroína da Marvel finalmente estreou nos cinemas. Baseado nas HQs, o longa segue a ex-piloto da Força Aérea norte-americana Carol Danvers (Brie Larson), que sem se lembrar de sua vida na Terra, é recrutada pelos Kree para fazer parte do exército que trava uma guerra contra os Skrull. No meio dessa guerra galáctica, Carol acaba retornando à Terra e descobrindo mais do seu passado e de como conseguiu seus poderes.

O filme é ambientado nos anos 1990, o que permite algumas referências à década como a saudosa rede de locadoras Blockbuster, o pager visto em Vingadores: Guerra Infinita, computadores antigos, além da trilha sonora que é embalada por No Doubt, TLC, Hole, Garbage e Nirvana, além de uma citação ao grupo The Marvelettes. Essa ambientação poderia ter sido melhor explorada pelos diretores Anna Boden e Ryan Fleck, no entanto, dentro do enredo é aceitável.

O roteiro é bem amarrado e mostra a origem da personagem por meio de flashes de memória, algo semelhante ao que acontece em O Homem de Aço (2013). A jornada da heroína é cumprida sem grande alarde e com alguns poucos plot twists que apareceram minuciosamente nos trailers divulgados pela Marvel. Tem um ritmo leve e despretensioso. Também há um equilíbrio entre humor e drama. A ação não é tão frenética, mas deixa a desejar em alguns momentos. A narrativa da guerra Kree e Skrull é bem explicada e precisa/deve ser mais explorada nos próximos anos no universo Marvel.

This image released by Disney-Marvel Studios shows Brie Larson, left, and Samuel L. Jackson in a scene from “Captain Marvel.” (Disney-Marvel Studios via AP) – via Boston Herald

Os grandes destaques estão nos relacionamentos entre os personagens. Brie Larson consegue entregar uma Carol Danvers debochada e sem muito carisma, que se diverte descobrindo seus poderes. Dramaticamente, a atriz se sai muito bem. A relação dela com o ainda descrente Nick Fury (Samuel L. Jackson) é o ápice do filme. Os diálogos e a interação entre os dois estão perfeitos. Samuel L. Jackson entrega uma de suas melhores atuações como Nick Fury. Se inserirmos o gato Goose, o trio está completo. O gatinho, inclusive, rouba a cena em vários momentos.

Como não poderia deixar de ser, o longa é bastante feminista. Além da Capitã, que sempre batalhou para conquistar espaços ocupados primordialmente por homens e ser dona de si, temos figuras feministas representadas pela melhor amiga de Carol, Maria Rambeau (Lashana Lynch) que também serviu à Força Aérea norte-americana e cuida da filha Monica (Akira Akbar). O laço e o apoio entre elas é bem explorado e tem tudo para ser ampliado em uma sequência. Um ponto importante na história é a mudança na origem de Mar-Vell – que nos quadrinhos é um homem. O herói, que é uma espécie de tutor para a Capitã, é vivido pela atriz (Annette Bening). Uma adaptação sensata e muito bem-vinda. Afinal, nada melhor do que uma mulher se inspirar em outra.

Jude Law faz um previsível Yon-Rogg, comandante da Star Force; enquanto Ben Mendelsohn interpreta Talos, o general Skrull, e dá um show de atuação. Talos é um dos personagens mais interessantes e instigantes do longa. E a química entre o elenco é evidente. Por falar em Skrull, todo o trabalho de maquiagem e uso dos poderes transmorfos dessa raça alienígena são bem executados, assim como todo o trabalho feito para rejuvenescer Samuel L. Jackson e Clark Gregg, que retorna como Phil Coulson. A fotografia não é tão rica quanto poderia ser e os efeitos visuais estão bons.

Como de costume nos filmes do Marvel Studios, temos cenas após os créditos. Uma delas faz ligação direta a Vingadores: Ultimato e diria sem medo, que é o momento mais marcante no longa de 2h04min. A segunda cena é divertida e fofa ao mesmo tempo. Capitã Marvel ainda nos entrega uma linda e singela homenagem a Stan Lee, que morreu no ano passado.

O filme esboça em alguns momentos a ideia de que será grandioso ou terá batalhas épicas como Mulher-Maravilha, por exemplo, mas não o faz. E está tudo bem. Capitã Marvel é uma história de origem bem feita e que não entrega nem mais nem menos do que pode. É um longa feito na medida certa para apresentar a heroína e colocá-la na linha de frente com os Vingadores e até mesmo liderá-los. Carol Danvers é uma personagem forte e que deve ir “mais alto, mais longe, mais rápido” nos próximos anos no universo Marvel.

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