Iggy Azalea retorna com o aquém das expectativas ‘In My Defense’

Após cinco anos de muitos problemas com gravadoras e adiamentos, a rapper Iggy Azalea finalmente lançou seu segundo álbum de estúdio. In My Defense é o nome do projeto que Iggy estreia de forma independente. Desde o relançamento (Reclassified) de seu primeiro álbum The New Classic (2014), a artista nos últimos anos foi boicotada pelas gravadoras que passou, Def Jam e Island Records. Teve o disco Digital Distortion engavetado. Além disso, em 2013, após tweets antigos de cunho racista surgirem, Iggy foi acusada de apropriação cultural, por ser uma mulher branca que faz rap em um cenário musical dominado por negros.

Ela deu sinais de novidades com o ótimo EP Survive the Summer, lançado no ano passado. No início do ano, Iggy criou o próprio selo, o Bad Dreams Records, e assinou contrato de distribuição com a Empire, dando vida a In My Defense. O álbum tem produção executiva de J. White Did It, produtor de Money da Cardi B e que já trabalhou com a cantora Tinashe. Das 12 faixas do álbum, J. White Did It só não produz duas (Big Bag e Comme des Garçons).

Toda essa negatividade que Iggy passou nos últimos anos é escancarada nas primeiras músicas do álbum. Thank I Get abre o disco e a rapper mostra que absorveu as críticas e se gaba por seus antigos feitos. Em Clap Back, Iggy é mais direta. Ela discute várias controvérsias e todo o ódio que recebeu nos últimos anos, inclusive cita as críticas de apropriação cultural. Ambas as músicas carregam um som mais “dark”, que também aparece na ótima Spend It Comme des Garçons, que significa “como os meninos” em francês e foi produzida por Rico Beats, que tem trabalhos com a Nicki Minaj e o Pusha T. Tanto em Spend It quanto em Comme des Garçons, Iggy canta sobre ostentação.

Primeiro single do álbum, Sally Walker já é uma canção mais comercial. O refrão da faixa é uma versão sexy para canção infantil Little Sally Walker. Além disso, o trap domina toda a produção da faixa que é parecidíssima com Money da Cardi B – não à toa o produtor de ambas as músicas é o mesmo. O videoclipe é um capítulo à parte. Simplesmente perfeito e visualmente incrível. O twerk continua em Hoemita, em parceria com o rapper Lil Yachty. Nela, os dois cantam sobre sexo, dinheiro e o quão poderosos eles são. Iggy continua muito sexual em Just Wanna, da qual ela manda apenas um “I just wanna fuck” e “I’ma put this pussy on your face“. Bem direta né?! Além disso, ela sussurra rimas numa mistura de de Billie Eilish com Britney Spears. Pussy Pop é outra faixa sexual e explícita. Ela segue um pouco a linha de Just Wanna e encerra o álbum.

Uma das músicas mais legais do álbum com certeza é Started. Segundo single de divulgação do material, a faixa fala da ascensão de Iggy, que passou de desconhecida à rapper milionária. Assim como Sally Walker, a música tem um refrão chiclete e, embora não seja do pop rap que fez Iggy famosa, é altamente comercial. Em Big Bag, ela traz novamente um som mais “dark” e a rapper e compositora Stini, primeira artista a assinar com a gravadora Bad Dreams Records. Além disso, a produção da faixa fica a cargo de Go Grizzly (possui músicas com nomes como Future e Icona Pop) e Smash David (que trabalhou recentemente com o Khalid e o Chris Brown).

O som mais próximo do primeiro álbum fica a cargo de Fuck It Up, música com a rapper Kash Doll e que foi produzida por Jazze Pha (ele já fez músicas para Ciara e o rapper T.I.) junto com o J. White Did It. Além disso, a faixa é o terceiro single oficial do disco. Freak of the Week com o Juicy J também traz um pouco da sonoridade do The New Classic. A canção possui elementos da música Slob On My Knob do grupo Tear Da Club Up Thugs.

Ao terminar de ouvir In My Defense, a sensação é de que poderia ser melhor. Longe de ser um álbum ruim, mas o material infelizmente não engrena ao longo das 12 faixas. Você consegue lembrar de ao menos quatro ou cinco músicas – se for muito fã da rapper, pois caso contrário somente os singles serão lembrados. O pop rap que Iggy fez em seu debut álbum lhe rendeu hinos como Fancy, Black WidowWork, e é claro que seria difícil alcançar novamente estes feitos com tantos problemas pessoais e profissionais envolvidos. No entanto, Iggy lançou um EP tão consistente – o Survive the Summer – que era esperado um trabalho tão bom quanto.

In My Defense tem o seu valor, conta com boas rimas, vídeos impecáveis como de costume (não posso deixar de frisar isso, já que Iggy possui uma das melhores videografias da indústria), mas peca por soar genérico e não trazer nada de novo. No entanto, com um álbum aquém das expectativas é preciso reforçar a coragem e persistência da rapper em não desistir e conseguir tocar o seu trabalho em meio a tantas adversidades. A torcida agora é para que Iggy Azalea volte a ser valorizada e traga trabalhos mais sólidos como o The New Classic e o Survive the Summer.

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