‘Lover’ prova toda a capacidade artística de Taylor Swift

Taylor Swift está de volta. A cantora lançou seu sétimo álbum de estúdio, o Lover. O material chega dois anos após o reputation, disco que rendeu à Taylor uma turnê mundial de sucesso em estádios. Em uma entrevista à revista Vogue, a cantora disse que Lover é “uma carta de amor ao amor, em toda a sua glória enlouquecedora, apaixonante, emocionante, encantadora, trágica e maravilhosa”. Ela definiu a nova era também como um recomeço. Após seis discos com a Big Machine Records (que agora pertence ao empresário e inimigo declarado de Taylor, Scooter Braun), o álbum é o primeiro de Taylor com a Republic Records, gravadora que tem Ariana Grande no casting. Lover traz Taylor mais doce e calma que reputation ao longo das 18 faixas. Como de costume, a cantora escreveu e produziu todas as músicas, trabalhando ao lado de nomes como Jack Antonoff (trabalhou nos últimos álbuns da Lorde e Lana Del Rey) e Joel Little (que tem trabalhos recentes com a Marina e Shawn Mendes). 

Lover abre com a engraçadinha I Forgot That You Existed, escrita e produzida por Frank Dukes (que trabalhou com a Camila Cabello e o The Weeknd) e Louis Bell, a música sobre deixar o passado pra trás (seja alguém ou algo) a ponto de esquecer que ele existiu. É a analogia perfeita para Taylor reafirmar que a era reputation já não lhe serve mais. A sequência traz a ótima Cruel Summer, que além de Taylor e Jack Antonoff, traz composição da cantora St. Vincent. A música fala sobre um amor desesperado de verão que tem tudo pra dar errado, acredita-se que a canção seja em referência ao início de namoro de Taylor com o ator britânico Joe Alwyn. Fãs também fazem correlação do nome da música com o álbum de Cruel Summer (2012) de Kanye West, desafeto da cantora. A faixa soa como um hit espontâneo e grita para ser single. London Boy é outra canção que fala de Joe Alwyn. A música é um pop gostosinho para cantar junto. A faixa título e terceiro single, Lover, traz a Taylor “raiz” de volta. Com uma pegada country pop, a música é daquelas baladinhas apaixonantes e ainda conta com um videoclipe apaixonante.

Taylor traz músicas mais tranquilas falando sobre fases de um amor ou de se machucar com certos amores. Em The Archer, Taylor canta sobre suas dores no amor e inseguranças. A música tem um instrumental linear, menos pop e todo focado nos vocais. Miss Americana & The Heartbreak Prince descreve um romance do ensino médio numa vibe pop à lá 1989 (2014). Excelente faixa. I Think He Knows mostra um pouco mais da Taylor perdidamente apaixonada. O pop fofo continua, embora a música não seja uma das melhores do álbum. Uma canção que se destaca é com certeza Cornelia Street. A música fala basicamente das memórias de Taylor em seu apartamento na Cornelia Street em Manhattan, New York. Ela alugou um ap no local entre 2016 e 2017, enquanto reformava o de TriBeCa, também em Manhattan. O apelo comercial da faixa é evidente e os vocais de Taylor estão impecáveis.

Em Death by a Thousand Cuts, Taylor fala do término de um relacionamento e o compara a uma morte lenta e dolorosa. Para escrever a música com Jack Antonoff, a cantora se inspirou no filme Alguém Especial (Someone Great) da Netflix, no qual a protagonista Jenny (Gina Rodriguez) passa um término de relacionamento devastador e resolve viver uma noite de aventuras com as amigas. False God traz ainda mais referências ao namoro de Taylor com Joe Alwyn, no qual a cantora classifica como algo poderoso. Numa espécie de folk, Taylor canta sobre uma amizade que evolui a algo mais sério na ótima It’s Nice to Have a Friend. A cantora ainda investe num pop rock em Paper Rings, que é mais uma faixa em que ela se declara para o seu amor. Primeiro single do álbum, ME!, que tem participação de Brendon Urie, vocalista da banda Pan!c at the Disco, fala sobre amor próprio. A faixa é a que mais destoa das demais. O refrão, apesar de chiclete, é extremamente fraco se olharmos as composições presentes no disco.

Taylor também está ligeiramente política neste álbum. Em The Man, que foi composta e produzida por ela e Joel Little, a cantora fala abertamente sobre sexismo e de como a mídia e as pessoas falariam sobre ela caso fosse um homem. Ela ainda faz uma breve citação ao ator Leonardo DiCaprio. A música tem uma pegada mais pop à lá a era 1989. Em Soon You’ll Get Better, que traz a participação do trio country Dixie Chicks. A faixa é dedicada à mãe de Taylor, Andrea, que trata de um câncer desde 2015. Já com You Need To Calm Down, segundo single, Taylor demonstra todo seu apoio à comunidade LGBTQ+. O videoclipe traz inúmeras personalidades como Ellen DeGeneres, Ciara, RuPaul, Katy Perry (selando a paz no pop) e outros. Afterglow é uma das melhores músicas do álbum. Composta e produzida por Frank Dukes e Louis Bell, a música fala sobre auto-sabotagem em um relacionamento, no qual a pessoa surta sem motivo ou exagera em um mal-entendido. Daylight encerra o disco e fala sobre todas as inseguranças que relacionamentos anteriores causaram, mas que agora finalmente encontrou o seu amor e agradece por estar feliz.

Após uma era toda pautada no afronte (reputation foi todo baseado em como a mídia tentava denegrir a reputação de Taylor frente a opinião pública), Taylor Swift está de volta mais calma e cheia de amor pra dar. Lover soa como o sucessor natural de 1989, tanto que rolam conversas de que o sétimo disco da cantora foi idealizado antes de reputation, o que explica em muito a sonoridade mais doce e calma, próxima aos trabalhos anteriores como o Red (2012) e o próprio 1989 (2014). Lover é um álbum para os fãs da Taylor do country pop, que investe mais na voz e violão em composições mais românticas do que poderosas.

Nesta era, a sensação é de que Taylor Swift se despiu da figura de diva que reputation trouxe e voltou a ser a menina/mulher fofa de outrora. A Taylor feroz, confiante e poderosa dá lugar novamente à Taylor confusa, sentimental e que sonha com um grande amor. Lover prova a capacidade artística de Taylor Swift em compor, produzir e contar boas histórias. Lover é a combinação perfeita entre o Red com o 1989, e um dos melhores da discografia da cantora. Gostando ou não da loira ou de sua música, não podemos negar que Taylor Swift exala talento e o este trabalho comprova isto.

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